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Administração no Blog

Conteúdos de Administração e assuntos atuais.

21 de outubro de 2012

Teórico da contingência


Aula: 02/10/12

Teoria da Contingência Estrutural
                            Ênfase no ambiente e nas demandas ambientais.
 
 
 
 
A palavra contingência significa algo incerto que pode ou não ocorrer.
A abordagem contingencia saliente que não se atinge a eficácia organizacional seguindo um único modelo organizacional. Não existe uma forma que seja melhor para alcançar os objetivos variados em ambientes também variados.
Conceito: Enfatiza que nada é absoluto nas organizações, tudo é relativo. Tudo depende. Explica que existe uma relação funcional entre as condições do ambiente e as técnicas administrativas apropriadas para o alcance eficaz dos objetivos da organização.
            A otimização da estrutura organizacional variará de acordo com formas como: estratégia, tamanho, tecnologia e incertezas nas tarefas.
Origem: Nasceu de uma série pesquisas feitas para verificar quais eram os modelos de estrutura mais eficazes em determinados tipos de empresas constataram que não havia um modelo único a ser seguido em uma estrutura organizacional que dependia da relação entre o ambiente externo.
Premissa contingencial: Tudo muda: tecnologia, ambiente, tarefas, logo as situações administrativas são especificas e exigem tratamento personalizado. Todos os modelos administrativos são ferramentas válidas; cabe ao administrador usá-las e combina-las  no momento adequado, seguindo as características exigidas pelas situação.
Principais contribuições:
A Pesquisa de Chandler realizou investigações sobre as mudanças estruturais de 4 empresas (Du Pont, GM, Sears e Standar Oil) relacionando-as com a estratégia de negócios. Concluiu que na história industrial dos últimos 100 anos, a estrutura organizacional das grandes empresas americanas foi sendo determinada pela estratégia mercadológica.
A Pesquisa de Burns e Stalker. Pesquisaram 20 indústrias inglesas para verificar a relação existente entre as práticas administrativas e o ambiente externo dessas indústrias. Constataram que os métodos e procedimentos administrativos eram diferentes e classificaram  estas industrias em 2 tipos: Organizações orgânicas e organizações mecânicas.
- Tarefas repetidas são passíveis de formalização burocrática.
- Mais incertezas = menos burocracia e mais advocacia.
A Pesquisa de LAWRENCE E LORSCH: A teoria Contingencial surgiu desta pesquisa. Compararam 10 empresas diferentes em busca de uma resposta à pergunta: Quais são as características que uma empresa deve ter para enfrentar com eficiência as diferentes condições externar, tecnológicas e de mercado?
 
Ø  Um dos maiores problemas dos administradores é a diferenciação e a integração os quais são determinados pelas exigências do ambiente que estão inseridos. Na medida em que as organizações crescem, suas partes diferenciam-se, mas de forma integrada, buscando um perfeito ajuste entre elas.
As indústrias com elevado desempenho apresentam um perfeito ajuste às necessidades do ambiente, definindo sua diferenciação e integração.
Obs.  Teoria Contingencial: muda de acordo com a mudança do ambiente. Ela muda a forma para atender a contingencia, tudo depende.
 
 
Na Teoria Contingencial não existe uma receita de bolo:
1º. Passo: fazer um diagnóstico e depois escolher o modelo específico.
 
= Relação funcional entre as condições do ambiente e as técnicas apropriadas = Tem que analisar o ambiente junto com as técnicas administrativas.
 
Ø  Premissa Contingencial: Tudo muda inclusive as situações personalizadas.

Ø  Tarefas repetidas = Fica mais fácil de controlar e barato de gerar processos.
Ø  Tarefas incertas = Adocracia = ela é menos formalizada, atua com incertezas.
 
- Organizações Mecânicas: estrutura burocrática baseada:
- divisão do trabalho, cargos ocupados por especialização, altamente centralizados pelos níveis superiores, hierarquia rígida baseada no comando, sistemas de controle simples, predomínio da interação vertical, maior confiança nas regras e procedimentos formais, com ênfase nos princípios da Teoria cientifica e clássica.
- Organizações Orgânicas: estrutura com pouca divisão do trabalho e cargos ocupados por generalistas:
- relativamente descentralizada nos níveis inferiores, baseada no conhecimento dos empregados, hierarquia flexível, sistemas complexos e flexíveis de controle, predomínio da organização horizontal, maior confiança nas comunicações, ênfase na Teoria das Relações Humanas.
 
Pesquisa de Joan Woodward
Desenvolveu um estudo com 100 empresas e 100 empregados utilizando o sistema de produção operante nas organizações.
 Produção unitária: Processo menos padronizado e mais automatizado = orgânico.
· Tecnologia utilizada: Habilidade manual ou operação de ferramentas, artesanato. Pouca padronização e pouca automatização. Mão de obra intensiva e não especializada. Exemplo: produção de navios, motores de grande porte, aviões comerciais, locomotivas.
· Resultado da produção: Produção em unidades, pouca previsibilidade dos resultados e incerteza quanto a incerteza das operações.
 
Produção em massa: processo em larga escala com linha de montagem = mecânica.
· Tecnologia utilizada: Máquinas agrupadas em baterias do mesmo tipo (seções ou departamentos). Mão de obra intensiva e barata, utilizada com regularidade. Exemplo: Empresas montadoras de automóveis
· Resultado da produção: Produção em lotes e em quantidades regular conforme dada lote. Razoável previsibilidade dos resultados. Certeza quanto á sequência das operações.
 
Produção em processo: Produção continua  e  automática,  monitorada  por  poucos  empregados         = mecânica/organizacional.
· Tecnologia utilizada: Processamento contínuo por meio de máquinas especializadas e padronizadas, dispostas linearmente. Padronização e automação. Tecnologia intensiva. Pessoal especializado. Exemplo: produção nas refinarias de petróleo, produção química, siderúrgicas.
· Resultado da produção: Produção contínua e em grande quantidade. Forte previsibilidade dos resultados. Certeza absoluta quanto a sequência das operações.
Em resumo: Há um imperativo tecnológico, isto é, a tecnologia adotada pela empresa determina a sua estrutura e comportamento organizacional.
 
Ø  Constatou que os princípios da administração não tinham a mesma validade para as diferentes empresas pesquisadas.

·         CONCLUSÕES DAS PESQUISAS.
Em lugar de propor um único e melhor modo de organizar-se a pesquisa sugere:
Que  a  empresa  deve  se  concentrar  na  analise  sistemática  dos  requisitos  do ambiente  e  relaciona-los  com  as  características  ‘pela’  organização”.
 Finalizando: Essas quatro pesquisas revelam a dependência da organização em relação ao seu ambiente e a tecnologia adotada. As características da organização não dependem dela própria, mas das circunstâncias ambientais e da tecnologia que ela utiliza. Daí a Teoria da Contingência que mostra que as características da organização são variáveis dependentes e contingentes em relação ao ambiente e à tecnologia.
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 Aula: 16/10/2012
- Modelo Teórico da contingência estrutural -
             - Fatores contingenciais da estrutura (tamanho/tecnologia) ‘são os principais’.
            À medida que as empresas se diversificam de um único produto ou serviço para múltiplos produtos/serviços, a estrutura funcional original deixa de responder à complexidade das decisões. A estrutura multidivicional reduz a complexidade à medida em que cada divisão passa a decidir sobre seus produtos e mercados (estrutura material): consequências:
·         Aprimoramento das decisões.
·         Aumento da velocidade decisória
·         Concentração da alta administração nas decisões estratégicas
·         Quanto maior a organização. Mais burocrático  e mais descentralizado.
 Dinâmicas de estratégia e estrutura
                                            Estrutura funcional (combinações adequadas ou inadequadas)
Desempenho
                           _________ Estrutura Divisional     
 DONALDSON * Corporações adequadas superam o desempenho das inadequadas
·         Adequação ocorre antes do desempenho. Então, a adequação é a causa e o desempenho é o efeito.
·         Adequação da estratégia e da estrutura afeta o desempenho
 
-- Correlação entre mudança da contingencia e mudança da estrutura.
Ø  A Teoria da Contingência sustenta que a contingência causa a estrutura a longo prazo, pois a curto e médio prazos causa inadequação.
 
Ø  Conduz a mudanças de estrutura e a uma adequação.
 
Ø  O ciclo de adaptação estrutural é iniciado pela mudança na contingencia.
 
Ø  Inadequação causa mudança organizacional.
 
Ø  Mudança estrutural foi predominantemente adaptativa, ou seja, adotou-se uma estrutura divisional para adequar a estrutura a uma estratégia corporativa e diversificada.
Conclusão: A Inadequação estrutural causa adaptação estrutural.
 
v  Uma organização inadequada pode sofrer queda de desempenho, mas esse fator pode ser menor importância frente às demais causas de perda do desempenho. Ex. monopólio, indústrias protegidas.

v  Quando a inadequação não é mais tolerável e é necessário restaurar a adequação, isto pode ser feito mantendo-se a estrutura e alternando-se a contingencia de modo que a estrutura se ajuste (rota alternativa de escolha estratégica).

v  A adaptação estrutural tende a ocorrer quando a organização tem baixo desempenho.
 
v  Críticos afirmam que, enquanto a Teoria da contingencia sugere que a organização responde ao ambiente, por outro lado, a organização pode alternar o ambiente, tornando-o mais favorável aos seus objetivos. Ex: barreiras de entrada.
-- -- -- -- -- -- -- -- -- Matéria de PO -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- --
 
- Uma explanação sobre o assunto:
            A contingência estrutural surgiu da ideia de que as ações organizacionais dependem das relações ambientais da organização. Baseada na ideia da teoria de sistemas, onde a organização é vista como um sistema aberto que interage com o ambiente externo, ou seja, com os clientes, fornecedores, concorrentes, entre outros, a teoria da contingência tenta ignorar um modelo padronizado de estruturação e solução dos problemas numa empresa.
            Como o seu próprio nome sugere, a estrutura organizacional é contingente as pressões e incertezas ambientais. O nível de analise desta perspectiva está nos fatores ambientais que condicionam as formas organizacionais. Muitos analistas observam que contingência estrutural é uma maneira de combinar elementos importantes a cerca dos objetos, conflitos e das restrições ambientais. Existem dois pressupostos a cerca da perspectiva da contingência estrutural: não existe uma melhor forma de se organizar e cada caminho da organização não é igualmente efetivo.
            Segundo Chiavenato, é na teoria da contingência que ocorre o deslocamento da visão do administrador de dentro para fora da organização e este autor ainda fala que a contingência é conceituada por ser algo incerto, que pode ou não acontecer, não há mais uma estrutura organizacional eficaz para que todas as empresas sejam consideradas bem sucedidas, acredita-se que tudo depende das circunstâncias. Para se chegar até as conclusões úteis e positivas para o desenvolvimento da empresa é necessário seguir-se um caminho estrutural, ou seja, é preciso analisar o mercado, pesquisar os clientes, pesquisar a concorrência, pesquisar e dialogar com os fornecedores, e só após isso, tomar qualquer decisão, pois é preciso muita cautela para se concretizar isso. Afinal, a alteração de um modelo de sistema organizacional, desde que ele siga os requisitos citados tem uma grande possibilidade de chegar ao sucesso pretendido.
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Bibliografia

- Aula do 7º.semestre de TO.

- http://adm1acao.blogspot.com.br

9 de outubro de 2012

Imagens das Organizações


INTRODUÇÃO

O livro Imagens da Organização, Gareth Morgan fala a respeito de uma metáfora dentro de outra, ou seja, a metáfora de se efetuar a “leitura da organização”.

Procura mostrar como muitas das ideias convencionais sobre organizações e administração foram construídas sobre um pequeno número de imagens tidas como certas, especialmente a mecânica e a biológica. Segundo, explorando essas e um conjunto alternativo de imagens procura mostrar como se podem criar novas maneiras de pensar sobre a organização. Em terceiro lugar, procura mostrar como esse método geral de análise pode ser usado como um instrumento prático de diagnóstico dos problemas organizacionais, bem como de administração e planejamento das organizações de maneira mais ampla. E, finalmente, procura também explorar as implicações levantadas por esse tipo de análise.


A respeito de metáforas: existe crescente literatura demonstrando o impacto da metáfora em relação ao modo pelo qual se pensa, se fala em relação aos sistemas de conhecimento científico e corriqueiro. Usar uma metáfora implica um modo de pensar e uma forma de ver que permeia a maneira pela qual entendemos nosso mundo em geral.







1.    AS ORGANIZAÇÕES VISTAS COMO MÁQUINA.

Dentro dessa concepção, a forma mecânica de pensar, arraigada nas nossas mentes durante tantas décadas, alicerçou o estilo burocrático criando dificuldades para a entrada de novas percepções organizacionais.

As organizações são propostas como ‘um fim em si mesmas.’ São instrumentos criados para se atingirem outros fins. Isso é refletido pelas origens da palavra organização que deriva do grego orgamon que significa uma ferramenta ou instrumento.

Durante o século XIX várias tentativas foram feitas para codificar e promover as ideias que poderiam levar as organizações a uma gestão eficiente no trabalho.

O autor justifica dizendo que, muitos teóricos em ciência social observaram que vivemos em uma sociedade tecnológica, dominada pelas necessidades das máquinas e por modelos mecânicos de raciocínio. Os elementos da teoria mecanicista apareceram pela primeira vez nas ideias dos “atomistas” gregos, tais como Demócrito e Leucipo, no período compreendido entre o século V e o I a.C..

Acreditavam que o mundo era composto de partículas indivisíveis, em movimento e dentro de um vácuo infinito e que todas as formas, movimentos e mudança poderiam ser explicados em termos do tamanho, forma e movimento dos átomos.

Esta visão mecânica influenciou o pensamento científico até o século X e tem a sua mais completa e extensiva compreensão nas contribuições do físico Sir Isaac Newton que desenvolveu uma teoria do universo enquanto maquina celestial.

Dentro do campo da filosofia, as ideias mecanicistas têm exercido influência poderosa em relação às teorias da mente humana e a respeito da natureza e do conhecimento e da realidade.

O autor direciona-se ao filósofo francês René Descartes dizendo que este, fixou importantes fundamentações para estes desenvolvimentos na sua famosa obra Discurso sobre o método, publicado em 1637 e na qual apresentava argumentos justificando uma separação entre o corpo e mente e entre sujeito e objeto, numa tentativa de colocar o processo de raciocínio humano dentro de uma base tão sólida quanto possível.

Em ciência social, a ideia de que o homem é uma máquina exerceu forte influência sobre a psicologia do comportamento, especialmente através da ideia de que os seres humanos são produtos de forças ambientais.

Em relação às ligações entre a abordagem mecânica e a vida quotidiana, é interessante observar como as pessoas chegaram a tratar os seus corpos como máquinas. Isto se torna mais evidente em muitas das abordagens de condicionamento físico nas quais o objetivo principal é “ficar em forma”, desenvolvendo o corpo via jogging, calistenia* (Sistema de ginástica leve para dar vigor e beleza física), musculação e ginástica.

O autor cita o sociólogo Max Weber (1946, 1947) que discute os paralelos entre mecanização e organização. Ao se tentar compreender o seu trabalho, é importante perceber que Weber não estava interessado em estudar as organizações formais enquanto fins em si mesmas. Ao contrário, estava preocupado em compreender o processo de organização, processo este que assume diferentes formas em diferentes contextos e em diferentes épocas, fazendo parte de um contexto social mais amplo. Assim, a forma burocrática de organização foi vista como uma sociedade como um todo, enfatizando a importância das relações meios fins.

As mudanças na estrutura organizacional visaram a uma operação tão precisa quanto possível dentro dos padrões de autoridade, como por exemplo, em termos das responsabilidades nos cargos e o direito de dar ordens e exigir obediência.

Toda a crença, segundo o autor, da teoria da administração clássica e a sua aplicação moderna é sugerir que as organizações podem ou devem ser sistemas racionais que operam de maneira tão eficiente quanto possível.

Os princípios da Administração Científica foram estabelecidos por Taylor que surge como um homem com visão obsessiva, sustentada por uma determinação de implantá-la a qualquer custo. Taylor defendeu o uso de estudos de tempos e movimentos como meio de analisar e padronizar as atividades de trabalho.

O Impacto da Administração Cientifica na engenharia industrial, psicologia industrial, moderna ergonomia e no estudo do trabalho pode ser observado em praticamente todos os textos modernos de administração industrial.



2. A NATUREZA ENTRA EM CENA – AS ORGANIZAÇÕES VISTAS COMO ORGANISMOS

É possível pensar nas organizações como se fossem organismos. A Biologia classifica os organismos em espécies, questiona a descrição geográfica, a linha de decadência e as mudanças evolutivas.

O autor descreve a organizacional baseando-se na biologia, desde os anos 50. O pensamento biológico tem influenciado a teoria organizacional e social desde pelo menos o século XIX através dos trabalhos de Spencer (1873, 1876, 1884), Durkheim (1934, 1938, 1951) e Radcliffe-Brown (1952). Estes foram os trabalhadores de base que influenciaram a poderosa escola de pensamento em Sociologia denominada funcionalismo estrutural, trazida à notoriedade nos anos 50 e 60 por Talcott Parsons (1951).

O uso da metáfora orgânica focaliza as organizações como as unidades chaves da análise. Discute-se como as organizações e os seus membros podem ser vistos como tendo diferentes conjuntos de “necessidades” e examinando como as organizações podem desenvolver padrões de relacionamento que permitam a elas se adaptarem ao seu ambiente.

Os sistemas orgânicos, seja uma célula do organismo complexo, seja uma população de organismos existem, num contínuo processo e trocas com os seus ambientes. Essa troca é crucial para a manutenção da vida e da forma de sistema, uma vez que a interações com o ambiente é fundamental a automanutenção. Os sistemas vivos são “sistemas abertos”.

O conceito de “sistema aberto” foi elaborado através do uso de princípios biológicos por Von Bertalanffy (1950, 1968) e muitos outros.

Os desenvolvimentos mais recentes das teorias dos sistemas foram bastante influenciados por perspectivas que enfatizam o equilíbrio e o homeostase* (Capacidade do corpo para manter um equilíbrio estável a despeito das alterações exteriores; estabilidade fisiológica). Recentemente, entretanto, muito maior atenção tem sido devotada à análise de instabilidade.

As organizações podem ser classificadas de acordo com o tipo de arranjo estrutural, isto é, caso adotem estruturas burocrático-mecanicistas, orgânicas, matriciais, ou departamentalizadas, conforme as bases de autoridade, tamanho e resultados em diferentes escalas de medida.

Entre as classificações dos tipos de tecnologia, existem aquelas que diferenciam entre produto em massa, processo, unidade, ou pequenos lotes (Woodwrd, 1965), as que consideram a complexibilidade e o grau de análise dos processos de trabalho (Perrow, 1967), as que levam em conta a tecnologia de operações, conhecimentos e materiais utilizados (Hickson, Pugh e Pheysey, 1969) e, por fim, aquelas que se baseiam na interdependência das tarefas (Thompson, 1967) e no próprio estágio de evolução tecnológica (Mckelvey e Aldrich, 1983).

As organizações, segundo Morgan, podem ser classificadas de acordo com o tipo de relações que desenvolvem com os seus empregados. Isto se acha ligado de maneira crucial com o tipo de motivação ou uso de poder de empregados. Por exemplo, Etzioni (1961) faz a distinção entre organizações coercitivas, utilitaristas e normativas (isto é, prisões, empresas e igrejas) e que poderiam estar baseadas em envolvimento alienante, calculado ou moral.

As organizações podem ser classificadas conforme a maneira pelo qual diferentes variáveis se agrupam para formar configurações, padrões ou arquétipos (Miller e Mintzberg, 1983). Um modo de identificar tais configurações é conduzir estudos de casos ou pesquisas empíricas de tantas organizações quanto possível, a fim de verificar quais padrões emergem.

3. A CAMINHO DA AUTO-ORGANIZAÇÃO - AS ORGANIZAÇÕES VISTAS COMO CÉREBROS.

Aqui o autor compara a organização com um cérebro. O estudo do cérebro coloca um problema único de reflexividade* (Propriedade que, na relação entre os elementos de um conjunto, é verdadeira quando relaciona um elemento consigo mesmo) e de construção de conhecimento, uma vez que utilizam cérebros para compreender cérebros. Não é de surpreender, então, que o processo se tenha baseado em vários diferentes tipos de metáforas, à medida que os cientistas tenham procurado por imagens apropriadas para dar sentido a esta complexa parte da anatomia.

Embora os administradores tenham há muito reconhecido a importância de se desenvolverem bons sistemas de comunicação para a transmissão de informações relevantes para onde isto se faz necessário, a ideia de utilizar o cérebro como metáfora para a organização cria novas e excitantes possibilidades. Comparado com a complexidade e o mistério da moderna pesquisa a respeito do cérebro, o emprego da metáfora do cérebro na teoria organizacional encontra-se em um estágio humilde de desenvolvimento.

A metáfora do cérebro auxilia na compreensão de que uma organização pode ser vista como um sistema cognitivocorporificando tanto uma estrutura de pensamentocomo um padrão de açõesenquanto que nas teorias tradicionais de organização a atenção tem sido devotada ao modo pelo qual os elos de comunicação são estabelecidos entre os diferentes componentes organizacionais.

4. A CRIAÇÃO DA REALIDADE SOCIAL – AS ORGANIZAÇÕES VISTAS COMO CULTURAS

Este capítulo é dedicado à criação da realidade social partindo da organização vista como cultura. Cultura, na língua inglesa, é um conceito moderno, usado em um sentido antropológico e ligado às ciências sociais para fazer referência ampla à “civilização” e à “herança social”, jamais antes de 1871. Este significado da palavra cultura não aparece em nenhum dicionário inglês até os anos 20.

A interpretação da metáfora da cultura adotada nesse capítulo reveste-se de um caráter amplo. Muitas das ideias discutidas formam um conjunto de descobertas que, em princípio, poderiam ter sido desenvolvidas em si próprias. Por exemplo, em vários pontos de discussão foram feitas referências a ideias de que a atividade organizacional pode ser compreendida como linguagem, participação em um jogo, drama, teatro, ou até mesmo um texto.

5. INTERESSES, CONFLITOS E PODER – AS ORGANIZAÇÕES VISTAS COMO SISTEMAS POLÍTICOS.

Os administradores frequentemente falam sobre autoridade, poder e relações superior-subordinado.

Tentando entender as organizações como sistemas de governo e tentando desvendar a detalhada política da vida organizacional é possível compreender qualidades importantes da organização que são, frequentemente encobertas ou ignoradas.

Qualquer discussão a respeito de política e de sistemas políticos necessita fazer referência ao trabalho de Aristóteles. A sua ideia de que a política é um modo de criar ordem é central em todo o pensamento político, mostrando como a sociedade pode evitar uma degeneração no sentido daquilo que Thomas Hobbes (1951) descreveu como uma guerra de todos contra todos.

A ideia de estabelecer os laços entre modelos organizacionais e sistemas de regras políticas tem sido apreciada há bastante tempo por cientistas políticos interessados em compreender o significado político da organização e as relações entre organização e




6. EXPLORANDO A CAVERNA DE PLATÃO – AS ORGANIZAÇÕES VISTAS COMO PRISÕES PSÍQUICAS.

Observa-se que o objetivo inicial ao escrever este capítulo foi explorar dois aspectos da prisão psíquicaum associado ao inconsciente e o outro ligado ao papel da ideologia.

Esta metáfora combina a ideia de que as organizações são fenômenos psíquicos, no sentido de que são processos conscientes e inconscientes que as criam e as mantém como tais, com a noção de que as essas podem tornar-se confinadas ou prisioneiros de imagens, ideias, pensamentos e ações que esses processos podem gerar.

As ideias expressas nestes e em outros trabalhos caracterizam uma longa história do pensamento social, iniciando-se como Platão. Fala sobre a caverna subterrânea, cuja entrada se acha voltada para uma fogueira crepitante. Dentro dela encontram-se pessoas acorrentadas de tal modo que não podem mover-se. Os moradores da caverna conseguem enxergar a parede à sua frente onde se projetam sombras. Essas pessoas conversam com elas. Mas, segundo Sócrates, se um deles deixasse a caverna veria que as sombras nada mais são do que reflexos escuros.

Os trabalhos de Freud, Jung e de vários “teóricos críticos” desenvolveram novos ataques em relação ao problema básico, ligando a ideia de que os humanos caem em armadilhas preparadas pelas suas preocupações, imagens e conceitos com a necessidade de critica radical desta situação. Enquanto os indivíduos criam a sua realidade, frequentemente o fazem de formas confinadoras e alienantes.

Na verdade, organização como ideologia poderia ser um grande argumento a ser desenvolvido por si só. Isto iria requerer que uma tentativa fosse feita no sentido de compreender como a vida organizacional reflete um processo de construção da realidade baseada em poder, além de determinar como as pessoas se tornam alvo de ideias que servem a conjuntos específicos interesses.

7. REVELANDO A LÓGICA DA MUDANÇA – AS ORGANIZAÇÕES VISTAS COMO FLUXO E TRANSFORMAÇÃO

Este capítulo desenvolve uma visão que recebeu pouca atenção dentro da teoria organizacional. Tem ponto de partida nas ideias de Heráclito que, por sua vez, apresentam muito em comum com a milenar filosofia chinesa do Taoísmo. Apesar da importante influência de Heráclito na evolução da ciência e do pensamento ocidentais, as suas idéias só puderam ser compreendidas e lidas através de fontes secundárias. Wheelwright (1959) fornece um excelente panorama.

Bohn usa metáforas para expressar seu ponto de vista. Por exemplo, convida-se a enxergar o universo como um conjunto de relações que se desdobram, assim como aquelas encontradas em uma sinfonia musical, em que diferentes notas e instrumentos evoluem dentro de uma relação para criar um som codificado na ordem implícita de pauta musical.

Ao se apreciar a teoria de Bohn, é importante perceber que este coloca considerável ênfase na criatividade inerente à ordem implícita. Na verdade, sugere que o seu reino pode ser o da pura criatividade, um conjunto de potencialidades que se tornam explícitas de maneira probabilística.

Enfatiza que as ordens explícita e implícita se encontram em interação e podem produzir e reproduzir formas através de um ciclo de projeção, injeção e reprojeção. As formas percebidas na ordem explícita permite-se certo grau de autonomia e auto-regulagem, embora sejam sempre vistas como dependentes de forças mais profundas dentro da ordem implícita para que possam existir. Sob condições apropriadas, determinadas ordens explícitas tornam-se prováveis ou possíveis, realizando a lógica do sistema.

A análise de Bohn é sugerir que a nossa realidade é moldada por mecanismos geradores que vêem do domínio real e que os domínios do atual e do empírico são, na verdade, tendências percebidas que emprestam forma especifica a processos dentro do primeiro domínio. Este tipo de análise busca uma explicação sobre a estrutura profunda da vida social e fornece um modo de reinterpretar o papel e a importância do inconsciente, da cultura e de outras forças sociais geradoras. Possuem muito mais em comum com teorias mais materialistas que enfatizam como a sociedade “se expande” de acordo com algum tipo de estrutura lógica.

8. A FACE REPUGNANTE – AS ORGANIZAÇÕES VISTAS COMO INSTRUMENTOS DE DOMINAÇÃO.

Relatos sobre dominação no mundo das corporações, especialmente no que diz respeito a como as organizações frequentemente exercem um impacto negativo junto a seres humanos e ambiente, aparecem com regularidade na maioria dos jornais e revistas especializadas em negócios.

A metáfora da organização traz para o centro de nossa atenção o lado avesso da vida organizacional, convidando-nos a examinar a extensão na qual representa um aspecto intrínseco* (Que está no interior de uma coisa e lhe é próprio ou essencial) do modo pelo qual decidimos organizar.

Na maioria das vezes, quando estas questões são tratadas na teoria organizacional, as mesmas são vistas como infortúnios, ou então como efeitos colaterais não intencionais, ou ainda como questões ligadas à ética da organização e ao relacionamento entre esta e a sociedade.

Ao considerar a metáfora da dominação como uma estrutura básica para a análise organizacional, a discussão deste capítulo tenta colocar estas questões na via principal, no sentido de que devem ser tratadas como dominantes nas colocações sobre a natureza e sucesso das organizações na sociedade moderna. Por exemplo, muitas empresas, sob outros aspectos excelentes, frequentemente possuem registros bastante questionáveis no que diz respeito ao impacto que causam no ambiente, na força de trabalho das fábricas e no Terceiro Mundo. Embora tenha obtido uma condição desenvolvida e admirável em termos de certos aspectos da prática gerencial interna, existe sempre um lado avesso desta excelência que quase sempre é complemente ignorado.

O conceito de imaginação procura desenvolver uma atividade proativa em relação ao modo pelo qual as organizações são e como elas poderiam ser. Acredito que as pessoas podem mudar as organizações e a sociedade, mesmo que a percepção e a verdade, ou as relações de poder verificadas através da história

Este livro enfoca as maneiras diferenciadas de enxergar uma organização, usando a metáfora que é crucial para a leitura e entendimento da vida organizacional.

Observa-se que, o livro revela a lógica da mudança; as organizações como instrumentos de dominação, fazendo com que olhemos a empresa onde se trabalha de uma forma diferente. Nos leva a uma reflexão sobre as metas e objetivos, observando que o trabalho pode não ser rotineiro e repetitivo.

Observa-se que uma organização que funciona como uma máquina, que tem conflitos e jogo de interesses pode ser uma organização estruturada como um sistema político.

Ao sugerir a comparação através de metáforas, o autor criou uma forma diferenciada de se pensar às corporações. A ideia foi facilitar a compreensão dos processos das empresas. A metáfora nos dá a oportunidade de aprofundar nosso entendimento, permitindo-nos ver as coisas e agir de maneiras novas.

Conclui-se que, nesta obra, Gareth Morgan detecta várias novas metáforas organizacionais. Uma delas descreve a empresa como cérebro cibernético auto-organizativo; outra, apresenta a organização como prisão psíquica, povoada pelo inconsciente e seus fantasmas e representações de morte e imortalidade, sexualidade, ansiedade, sombras e arquétipos.

O autor também apresenta a imagem da organização como fluxo e transformação. Certamente a mais próxima representação da atual cena organizacional, essa imagem está focada para as interações, para os círculos, para contradição e a crise.











REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MORGAN, Gareth. Imagens da organização: São Paulo: Atlas, 1996.

 - Este estudo fez parte do Plano de aulas (2012) do 7o.Semestre do Curso de Administração de Empresas.


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