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Administração no Blog

Conteúdos Acadêmicos da Graduação em Administração e assuntos.

24 de abril de 2017

TEORIA CLÁSSICA de Henri Fayol



A Teoria Clássica da Administração foi idealizada por Henri Fayol com ênfase na estrutura organizacional, pela visão do Homem Econômico e pela busca da máxima eficiência. O enfoque estava concentrado na organização formal, princípios gerais da administração, funções da administração – isso levou a sofrer críticas, como a manipulação dos trabalhadores através dos incentivos materiais e salariais e a excessiva unidade de comando e responsabilidade.

Paralelamente aos estudos de Frederick Winslow Taylor, Henri Fayol atuava na defesa de princípios semelhantes na Europa, baseado em sua experiência na alta administração - enquanto os métodos de Taylor eram estudados por executivos Europeus, os seguidores da Administração Científica só deixaram de ignorar a obra de Fayol quando a mesma foi publicada nos Estados Unidos. Sabe-se que o atraso na difusão generalizada das ideias de Fayol fez com que grandes contribuintes do pensamento administrativo desconhecessem seus princípios – a ênfase na estrutura que a organização deveria ter para ser eficiente.


Não existe nada rígido nem absoluto em matéria administrativa; tudo nela é uma questão de medida. Quase nunca se aplicará o mesmo princípio duas vezes em condições idênticas.


·        Abordagem sintética, global e universal da empresa.
·        Abordagem anatômica e estrutural.
·         Proporcionalidade das funções administrativas.
·        Ao operário interessa excelente capacidade técnica.
·        Ao alto executivo interessa a grande capacidade administrativa.


Administração e organização:

a) administração é um todo do qual a organização é uma das partes, organização como função administrativa onde organizar significa constituir uma dupla estrutura: material e humana, no empreendimento.

b) organização como unidade ou entidade social e o ensino da administração - todos têm necessidade, em maior ou menor grau, de noções de administração.


Elementos da administração:

o       Investigação;
o       Previsão;
o       Orçamento (budgeting)
o       Direção(directing);
o       Planejamento (planning);  
o       Organização (organizing);
o       Coordenação (coordinating);  
o       Comando.
o       Informação (reporting);


Princípios gerais de administração para Fayol

Divisão do trabalho especialização das tarefas e das pessoas visando aumentar o rendimento. Produzir mais e melhor, com o menor esforço.

Autoridade e responsabilidade direito de mandar e ter o poder de ser obedecido. A responsabilidade é uma consequência da autoridade.

Disciplina obediência, assiduidade, comportamento e respeito às convenções estabelecidas entre a empresa e seus agentes.

Unidade de comando o empregado deve receber ordens de somente um chefe.

  Unidade de direção um só chefe e um só programa para cada grupo de atividades que tenham o mesmo objetivo.

Subordinação do interesse particular ao interesse geral os interesses de uma pessoa ou de um grupo de pessoas não devem prevalecer sobre os da empresa.

  Remuneração do pessoal prêmio sobre o serviço prestado; deve ser justa, satisfazendo simultaneamente empregador e empregado.

Centralização convergência da autoridade na direção da empresa.

Hierarquia (ou cadeia escalar) linha de autoridade do escalão mais alto ao mais baixo, dos chefes aos subordinados.

10º Ordem um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar. Ordem material e humana.

11º Equidade resultante da combinação da benevolência com a justiça, para obter a boa vontade e dedicação do pessoal.

12º Estabilidade a permanência no cargo favorece o bom desempenho, a rotação de pessoal é prejudicial para a eficiência da organização.

13º Iniciativa a liberdade de conceber e assegurar o sucesso de um plano gera satisfação e deve ser estimulada.

14º União do pessoal o espírito de equipe, a harmonia e união do pessoal são essenciais para o bom funcionamento da empresa.



Elementos de administração para Fayol


FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS

Administrar é prever, organizar, comandar, coordenar e controlar;

Prever é visualizar o futuro e traçar o programa de ação;

Organizar é constituir o duplo organismo material e social da empresa;

Comandar é dirigir e orientar o pessoal;

Coordenar é ligar, unir, harmonizar todos os atos e esforços coletivos;

Controlar é verificar que tudo corra de acordo com o estabelecido.


A administração não é um privilégio exclusivo, nem encargo pessoal do chefe ou dos dirigentes da empresa; é uma função que se reparte, como as outras funções essenciais, entre a cabeça e os membros do corpo social. 

As qualidades de um administrador devem ser muitas - mesmo sabendo que cada grupo de operações ou função essencial pode corresponder com uma capacidade especial. Vejamos as capacidades necessárias:

·        Técnica,
·        Comercial,
·        Financeira,
·   Administrativa em conjunto das qualidades intelectuais; morais; cultura geral; conhecimentos especiais e experiência.


         A Teoria Clássica Fayol recebeu inúmeras críticas, como:

·            Uma abordagem simplificada da organização formal;
  
·             Ausência de trabalhos experimentais;

·              Extremo racionalismo na concepção da administração teoria da máquina;

·               Abordagem incompleta e Abordagem incompleta da organização.

Sabemos que para FAYOL o problema da administração se concentrava nas ‘indústrias e usinas’ com a preocupação pela produtividade. Foi ele quem levou a administração do nível da oficina para o da direção geral da empresa, considerada na sua totalidade – a principal contribuição de FAYOL ao pensamento administrativo foi mostrar como um processo administrativo complexo pode ser separado em áreas interdependentes de responsabilidades ou de funções. 





De acordo com FAYOL, prever, organizar, comandar, coordenar e controlar foi à base da Teoria Clássica - uma obsessão pelo comando e controle. Sabendo que sob a sua ótica, a visão da empresa era a partir da gerência administrativa – já que Fayol focou seus estudos na unidade do comando, autoridade e na responsabilidade. Em função disso, é visto como obcecado pelo comando.

A empresa como sistema fechado - a partir do momento em que o planejamento é definido como sendo a pedra angular da gestão empresarial, fica difícil imaginar que a organização seja vista como uma parte isolada do ambiente.

Manipulação dos trabalhadores - bem como a Administração Científica, fora tachada de tendenciosa, desenvolvendo princípios que buscavam explorar os trabalhadores.

Funções Gerenciais X Princípios Científicos - a Teoria da Administração Científica estudava a empresa privilegiando as tarefas de produção enquanto a Teoria Clássica da Administração a estudava privilegiando a estrutura da organização. Ambas as teorias buscavam alcançar o mesmo objetivo: maior produtividade do trabalho e a busca da eficiência nas organizações. Se a Administração Científica se caracterizava pela ênfase na tarefa realizada pelo operário, a Teoria Clássica se caracterizava pela ênfase na estrutura que a organização deveria possuir para ser eficiente. A consequência destas Teorias foi uma redução no custo dos bens manufaturados. Aquilo que fora um luxo acessível apenas aos ricos, como automóveis ou aparelhos domésticos, tornou-se disponível para as massas.

Mas, o mais importante foi que essa teoria tornou possível o aumento dos salários, ao mesmo tempo em que reduzia o custo total dos produtos. Vale lembrar que nesta teoria a motivação se dá na busca pelo dinheiro e pelas recompensas salariais e materiais do trabalho. Toda abordagem Clássica da Administração alicerçava-se nessa teoria da motivação. É uma abordagem puramente tecnicista e mecanicista.













Fonte e Sítios Consultados


http://docplayer.com.br/11433816-Tga-teorias-das-organizacoes-fupac-fundacao-presidente-antonio-carlos-profo-claudio-de-almeida-fernandes-d-sc.html



7 de abril de 2017

Kurt Lewin e sua obra





Kurt Lewin foi o psicólogo que contribuiu para a passagem das relações Humanas para o próximo movimento das Ciências do Comportamento, quando orientou grande parte dos pesquisadores dedicados à Administração e à Psicologia Industrial de década de 1960 - com Gordon Allport, Lewin foi a maior influência para a introdução da Psicologia Gestalt nas universidades americanas.


Kurt Lewin, psicólogo alemão-americano, nascido em 1890 em Mogilno; morreu em Newtonville, Massachusetts, Estados Unidos, em 1947. Formação: Universidade de Munique Ludwig-Maximilians, Universidade Humboldt de Berlim e Universidade de Friburgo.



Iniciou a sua carreira de pesquisador em 1921, quando Kurt Lewin - consagrou ‘algo próximo’ a oito dos vinte e cinco anos da sua vida universitária, de 1939 a 1946, à exploração psicológica dos fenômenos de grupo. E estes oito anos constituem um marco decisivo na evolução da psicologia social - de tal modo que, alguns anos após sua morte, a pesquisa em psicologia social continuou inspirando-se, em grande parte, nas teorias e descobertas de Kurt Lewin.

Conhecido pela sua modéstia intelectual e bom senso - ele demonstrou grande capacidade de experimentação e de realismo científico de experimentação, o que acabou conduzindo a psicologia social a um plano mais realista. O estudo de pequenos grupos constituía para Lewin uma opção estratégica que permitiria eventualmente, em um futuro imprevisível, esclarecer e tornar inteligível a psicologia dos macro fenômenos de grupo. Foi neste sentido que Kurt Lewin, pelo impulso e nova orientação que transformou a psicologia social numa ciência experimental; autônoma.


Sua Trajetória:

·        09/09/1890 - Nasce Kurt Lewin na Prússia.

·        1914 - doutora-se em filosofia Universidade de Berlim.

·  1926 - Primeira Obra A investigação em psicologia sobre comportamento e emoção e tornou-se professor titular de Psicologia da Universidade de Berlim.

·   1933 - Estatuto acadêmico tomado por poder nazista, fugiu da Alemanha e passou pela Inglaterra e vai para EUA convidado para ensinar na Universidade de Stanford (Califórnia).

·      1934 - Professor de Psicologia na Universidade de Cornell –Nova York Cátedra de psicologia de da criança na Universidade de Iowa direção de um Centro de Pesquisa ligado ao departamento de Psicologia "Child welfare research center" Publicação de dois trabalhos Ä dynamic theory of personality" e "Principles of topological psycology".

·   1939 - Volta a Universidade de Stanford e faz orientação das pesquisas alteram-se para psicologias dos grupos que seja dinâmica e guestaltica.

·        1940 - Torna-se professor na Universidade de Harvard.

·      1945 - Funda a pedido do MIT um centro de pesquisas em dinâmica de grupo, que se torna o mais célebre nos EUA.

·        1947 (12 de fevereiro) – aos 56 anos morre Kurt Lewin.


Suas contribuições:

§    Criação da Teoria de Campo;

§    Criação da Pesquisa Ação;

§    Considerado o fundador de Dinâmica de Grupo;



A partir dele houve uma gradativa diversificação das ciências sociais, 

vejamos três ciências sociais:



·        Sociologia,

·        Antropologia cultural e

·   Psicologia social. Estabelecimento da distinção entre sócio grupo (grupo de tarefa) e o ‘psico grupo’ (grupo estruturado, polarizado e orientado em função dos próprios membros que constituem o grupo – grupo de formação).



Kurt Lewin é citado como o "pai" da pesquisa ação. Ele tinha muito interesse na relação da justiça social e a investigação rigorosa. (especialmente após perder sua família na Alemanha). Inicialmente ele queria criar uma mudança social positiva.

Ele lutava contra o racismo, estudava a democracia e a troca dos hábitos alimentares na guerra e desejava investigar algo que fosse relevante para a realidade e imediatamente aplicável e útil – sabe-se que ele estava interessado nas forças (valências como chamava): o que instiga ou desanima alguém a ir para ação ou a ter determinado comportamento.

Também tinha interesse nas formas como representamos graficamente a realidade - como percebemos o que esta acontecendo ao redor de nós e dentro de nós, ele queria desenvolver modelos úteis de investigação – modelos úteis para fazer e responder perguntas.

Baseado em seus interesses e trabalho de investigações prévias, conduziu com seus estudantes (1946) o desenvolvimento de uma metodologia de investigação chamada pesquisa-ação. A pesquisa-ação tem enfoque na informação, interação, colaboração. Constitui-se de múltiplos passos para investigação e solução de problemas. É uma forma de comprovar as ideias na prática como meio de melhorar e incrementar o conhecimento acerca de um tema. Consiste em quatro passos: Planejamento, Ação, Observação e Reflexão. É um processo colaborativo no qual os membros os membros de uma equipe de pesquisa-ação trabalham juntos para solucionar um problema refletindo criticamente sobre suas ações e suposições. Recompilam a informação acerca de seus comportamentos, ações, resultados e julgamentos.

Os participantes são ao mesmo tempo sujeitos e objeto da experiência. Seus experimentos demonstraram que as atitudes de liderança têm correlação direta com a moral e produtividade dos funcionários. Essas descobertas foram, no entanto, mais populares entre os funcionários que os empregadores. Considerado o precursor da dinâmica de grupo, suas ideias são até hoje estudadas e aplicadas como grandes forças propulsoras da administração. Seu interesse centrou-se em pequenos grupos, analisando as variáveis de coesão, padrões grupais, motivação, participação, processo decisório, produtividade, preconceitos, tensões, pressões e formas de coordenar um grupo. Seu interesse por esse campo é baseado na mesma teoria de Chester Barnard de que a empresa é composta de pequenos grupos estabelecidos formal e informalmente.



A dinâmica de grupo é o estudo das forças que agem no seio dos grupos, suas origens, consequências e condições modificadoras do comportamento do grupo. Sua importância para organização é a de que, considerando os grupos responsáveis pelos atingimento dos objetivos organizacionais, a variação no comportamento do grupo é de conhecimento vital para o administrador. A formação do grupo fundamenta-se na ideia de consenso nas relações interpessoais, ou seja, concordância comum sobre os objetivos e sobre os meios de alcança-los, resultando a solidariedade grupal.

Esses fatores psicológicos possuem autonomia, uma vez que o grupo não funciona num vácuo, mas é formado a partir de uma organização mais ampla. Isso dá a ideia genérica de que um grupo pode estar representado por uma empresa, governo, país, igreja. Outro fator que influencia a agregação de grupos são suas condições de igualdade quer ‘sócio econômica’, de religião, cor, raça, quer mesmo de ideias.



Consequências da teoria motivação

A Teoria de Campo Lewin

Para Kurt Lewin "o comportamento é produto de um campo de determinantes interdependentes (conhecidos como espaço de vida ou campo social). As características estruturais desse campo são representadas por conceitos extraídos da topologia e da teoria de conjuntos e as características dinâmicas são representadas através de conceitos de forças psicológicas e sociais" (ANTONELLO, PUJOL JUNIOR, SILVA, 2006),



Em 1935 Kurt Lewin já referia em suas pesquisas sobre o comportamento social ao importante papel da motivação. Para melhor explicar a motivação do comportamento, elaborou a teoria de campo que se baseia em duas suposições fundamentais:

a)  O comportamento é derivado da totalidade de fatos coexistentes ao seu redor;

b)  Esses fatos têm caráter de um campo dinâmico, no qual cada parte do campo depende de uma interação-relação com as demais outras partes.

O comportamento humano não depende somente do passado ou do futuro, mas do campo dinâmico atual e presente. Esse campo dinâmico é o "espaço de vida que contém a pessoa e seu ambiente psicológico".

A teoria de campo segundo a definição de Lewin, não é uma teoria no sentido habitual, mas um método de análise das relações causais e de elaboração dos construtos científicos. Está intimamente ligada à teoria da Gestalt, sobre tudo no que se refere à interdependência das diferentes relações causais entre o parcial e o global na experiência do comportamento. Entre os conceitos de base da teoria de campo figuram:

a)  Espaço de vida: todos os fatos que existem para o indivíduo ou grupo num dado momento;

b)  A tensão a energia, a necessidade, a valência e o vetor, que constituem conceitos dinâmicos essenciais para analisar o comportamento;

c)   Os processos como a percepção, a ação e a recordação, meios pelos quais as tensões de um sistema se igualam;

d)  A aprendizagem que provoca mudanças várias, por exemplo, da motivação (adquirir novos gostos ou aversões), ou a mudança do grau de pertença ao grupo, por exemplo, assimilar uma nova cultura.



     -  Lewin  propõe  a  seguinte  equação  para  explicar o

      comportamento humano:


 C = f (P,M) 


Onde:

C é função
f ou resultado da interação entre a pessoa
P e o meio ambiente
M que a rodeia.

Ambiente Psicológico: (ou ambiente comportamental) é tal como é percebido e interpretado pela pessoa. Ë relacionado com as atuais necessidades do indivíduo. Alguns objetos, pessoas ou situações, podem adquirir valência no ambiente psicológico, determinando um campo dinâmico de forcas psicológicas. Os objetos , pessoas ou situações adquirem para o indivíduo uma valência positiva (quando podem ou prometem satisfazer necessidades presentes do indivíduo) ou valência negativa (quando podem ou prometem ocasionar algum prejuízo) Os objetos, pessoas ou situações de valência positiva atraem o indivíduo e os de valência negativa o repelem.  A atração é a força ou vetor dirigido para o objeto, pessoa ou situação; a repulsa é a força ou vetor que o leva a se afastar do objeto, pessoa ou situação, tentando escapar.

Um vetor sempre tende a produzir locomoção em certa direção. Quando dois ou mais vetores atuam sobre uma mesma pessoa ao mesmo tempo, a locomoção é uma espécie de resultante de forças. Algumas vezes, a locomoção produzida pelos vetores pode ser impedida ou completamente bloqueada por uma barreira, que é algum impedimento ou de fuga ou repulsa em relação a um objeto, pessoa ou situação. A barreira não tem valência por si mesma e não exerce nenhuma força, ela oferece resistência sempre que alguma força ‘exercida sobre ela. Quando a barreira é rígida, ela exige do indivíduo tentativas de exploração de ultrapassá-la e, quando inultrapassável, adquire valência negativa.

Para Lewin, toda a necessidade cria um estado de tensão no indivíduo, uma predisposição à ação sem nenhuma direção específica.   Lewin utilizou uma combinação de análise topológica (mapear o espaço vital) e vetorial (para indicar a força dos motivos no comportamento) desenvolveu uma série de experimentos sobre a motivação, satisfação e a frustração, os efeitos da liderança autocrática e democrática em grupos de trabalho, etc.











Fonte e Sítios Consultados


www.unisalesiano.edu.br



31 de março de 2017

Juros Compostos e a ignorância dos brasileiros sobre este tema



A grande parte da população brasileira não tem a verdadeira compreensão do que seja uma taxa de juros e isso pode ser sentido claramente pelos professores universitários deste Brasil - se no ensino médio isso já acontece, imagina então quando esses alunos chegam ao ensino superior, inclusive na pós-graduação. Outro fator preocupante foi perceber que muitos profissionais ligados a finanças também desconhecem entendimentos de vários cálculos financeiros e isso acaba levando muitas empresas a perderem lucratividade por ignorância de seus gestores.

Um exemplo clássico é o cartão de crédito: apesar de toda mídia bater firme sobre os juros estratosféricos, ainda assim as pessoas pagam o mínimo ou parcial. Mas qual o motivo a fazerem isso? Um dos motivos está ligado a finanças comportamentais, outro é o total desconhecimento dos juros composto.

Vejamos um exemplo de orçamento doméstico com uma tabela do fluxo de pagamentos do cartão:

Saldo devedor =  Saldo Inicial + Despesa – Pagamentos + Total de Juros

Fluxo pagamento do Cartão de Crédito

Obs.: Taxa de juro mensal de 14% a.m

Pode-se notar um fato delicado no quadro acima - no período de 12 meses, foi gasto o total de 18.650 reais e pago 14.500 reais. Como houve muita distração, pagava-se de acordo com o próprio fluxo de caixa. E veja que nele já estavam abatidos os 14.500 reais pagos no decorrer do período. Uma coisa que pouca gente percebe, a não ser que esteja usando lupa, ou esteja acostumada com as artimanhas dos “duendes banqueiros”, é a pequena taxa de juro. Pequena só no corpo da letra, pois ela é bem significativa: 14% a.m. Assim ela a responsável pela mágica da multiplicação do saldo devedor.



Como podemos constatar, os juros se reproduzem de forma similar a uma bactéria - esse fenômeno é chamado de juros compostos ou, como é popularmente conhecido, “juros sobre juros”. Como disse Einsteinjuros compostos é a força mais poderosa do universo”. Do saldo devedor de 10.783.81,35 reais, os juros representavam 6.633,81 reais. A lógica desse exemplo pode ser aplicada para o uso indiscriminado do cheque especial.

Imagine a seguinte situação: com a taxa de 14% a.m. sobre os 10.783.81,35 reais, em mais um ano (suponha que durante esse período não seja contraída nem paga dívida nenhuma), ela teria de desembolsar a bagatela de:

Saldo devedor (t+12) = Saldo devedor (t) x (1 + taxa)12

Saldo devedor (t+12) =  10.783,81 x (1,14)12

Saldo devedor (t+12) = R$ 51.955,38

Não é à toa que os bancos lucram tanto no país, uma das razões é a má educação financeira, na qual se aplica a matemática financeira como um todo, pois se as pessoas não conhecem juros compostos, também não conhecem outros cálculos. Isto entra outra pesquisa que saiu em 06/07/2016 [2], na qual o Brasil é um dos piores na qualidade de ensino matemático. Não adianta nada sermos bombardeados diariamente sobre como deve ser gasto ou investido o dinheiro se a maioria das pessoas não sabe nem calcular porcentagem. Isso é extremamente preocupante, pois quem perde é a sociedade toda.

Não são só as pessoas que estão perdendo dinheiro, mas as empresas também - outro problema que a falta de conhecimento em matemática financeira causa é em empresas, vejam só este exemplo: uma empresa que prestadora de serviços na área de controladoria, fazia sua cotações no seu departamento de compras, mesmo com o procedimento correto, como avaliar o menor preço, e a qualidade do produto, havia um pequeno problema: o comprador não levava em conta o prazo de pagamento, só o custo do produto.

Exemplo:



Ao ver esta tabela, é possível concluir que o comprador estava comprando do Fornecedor A. Para saber se as compras estavam corretas, pediu-se ao departamento financeiro qual era a taxa que eles estavam pagando com desconto de duplicatas (esta empresa não estava nada bem financeiramente): era em torno de 3% a.m. a taxa de desconto. Após fazer um cálculo dos juros economizados em relação ao prazo de pagamento conforme a tabela abaixo, assim descontado do valor inicial do custo do produto, chegou-se a estes novos valores:



Concluiu-se que o fornecedor mais viável era o B, pois baseado nos juros economizados do custo financeiro, a empresa economizaria. Este produto era o segundo em consumo pela empresa, por causa deste erro a empresa perdeu em torno de R$ 35.000 em um ano.

Outro exemplo clássico são os empréstimos realizados pelos bancos, que “maquiam” as taxas de juros. As instituições financeiras começaram a divulgar uma taxa de juros e a embutir uma série de custos no valor financiado. Assim, você ia tomar o dinheiro e eles informavam que a taxa era de 2% ao mês, por exemplo, mas na hora de liberar os recursos, em lugar dos R$ 1.000,00 líquidos na conta para você pagar R$ 1.020,00 no final do mês, aparecia apenas RS 950,00 e informavam os R$ 50,00 eram custos diversos (tarifas, impostos, seguros etc.). Logo, a “taxa de juros” estava certa, mas o custo efetivo total era bem maior do que o que dizia a “taxa de juros”, chegando a mais de 7,3% ao mês, neste caso hipotético (RS 950,00 comparados com RS 1.020,00).




O resultado disso é que a instituição financeira, ao conhecer tal comportamento do consumidor, tem informação para administrar melhor o preço do crédito, aumentando ou diminuindo sua margem.
Resumindo: há três fatores decisivos para definir qual o “tamanho” das taxas de juros para os tomadores:

§    Variedade de oferta de recursos (concorrência);
§ Baixo risco do banco em não receber os recursos de volta (baixa inadimplência);
§ Conhecimento sobre empréstimos (cálculos matemáticos) e sobre funcionamento do sistema financeiro (educação financeira).

    No Brasil, somado à nossa ignorância matemática ainda há o nosso sistema "bizarro" tributário que faz surgir determinados fatos difíceis de acreditar, como o IOF (imposto sobre operações financeiras) ser maior do que os juros. Ele depende da taxa de juros e do prazo em que você fizer a operação de empréstimo. A taxa do IOF atualmente é de 1,10% sobre a operação. Vamos supor o seguinte: que você fique com 1 dia no limite da conta, (lembrando que é muito normal as pessoas deixarem descobertas suas contas,   não pela falta de dinheiro, mas por esquecimento, eu mesmo já cometi várias vezes este erro), sabendo que a taxa de juros é 7,6 % a.m., o juros pagos em 1 dia será de 0,24%, no qual é um valor menor que o IOF que é de 1,10%, ou seja, você pagará mais imposto do que juros na primeira configuração!

  O empréstimo das instituições financeiras brasileiras é uma das mais claras encarnações do que diz a Bíblia no capítulo 22, versículo 7, de Provérbios: “O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta”.

  É fácil constatar que o conhecimento é muito importante para traçar uma linha divisória entre as pessoas que conseguem aproveitar as oportunidades e aquelas que não sabem o que está acontecendo, seja com a própria conta bancária – microeconomia - seja com a economia nacional ou internacional - macroeconomia. Este conhecimento é o processo pelo qual os indivíduos melhoram sua compreensão sobre os produtos financeiros, seus conceitos e riscos, de maneira que possam desenvolver habilidades e confiança necessários para a tomada de decisões fundamentadas e com segurança, melhorando seu bem-estar financeiro.
















Fonte e Sítios Consultados


http://terracoeconomico.com.br/994-dos-brasileiros-nao-conhece-o-conceito-de-juros-compostos


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