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Administração no Blog

Conteúdos Acadêmicos da Graduação em Administração e assuntos.

1 de dezembro de 2016

AIDS e os Brasileiros



Muitos jovens brasileiros deste século 21 desconhecem os perigos da AIDS e por essa razão não se protegem da Síndrome da imunodeficiência adquirida (a AIDS)essa é uma doença do sistema imunológico humano. Os dados divulgados no dia 30/11/2016 pelo Ministério da Saúde apontam que as taxas do ano de 2015 são praticamente iguais aos números de casos de infecções e mortes do ano de 2005, ou seja, mesmo com todo o avanço cientifico que houve em 10 anos os brasileiros continuam morrendo como no passado. Segundo o site g1.globo.com mais de 36 milhões de pessoas têm o HIV e só aqui no Brasil são 827 mil pessoas atualmente.

AIDS – descoberta e estudos
A AIDS só foi reconhecida no ano de 1981 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, mas a sua causa (o HIV) só foi identificado na primeira metade dessa década – sabe-se que desde a sua descoberta até o ano de 2009, esse vírus causou a morte de aproximadamente 30 milhões de pessoas no mundo - pesquisas genéticas apontam que o HIV surgiu no centro-oeste da África no inicio do século XX e também sabemos que no ano de 2010 cerca de 34 milhões de pessoas no mundo eram portadoras desse vírus, ou seja, a AIDS é considerada uma pandemia, um surto de doença que continua presente em uma grande área e que continua se espalhando ativamente.

O grande problema no tratamento da AIDS vem do comportamento da sociedade atual (contemporânea), isso porque muitos tratam a AIDS com discriminação.  – existem muitos equívocos sobre o HIV/AIDS, tais como a crença de que ela pode ser transmitida pelo contato casual não sexual. A doença também se tornou sujeita a muitas controvérsias envolvendo as religiões, além de ter atraído a atenção médica e política internacional (e um financiamento de larga escala) desde que foi identificada no ano de 1980.


Transmissão do Vírus HIV
O HIV é transmitido principalmente através de relações sexuais sem o uso de proteção (preservativo/camisinha) e isso inclui a relação anal e o sexo oral, também ocorre nas transfusões de sangue contaminado, por agulhas hipodérmicas e de mãe para filho, durante a gravidez, o parto ou amamentação. O virus HIV não é transmitido através de fluidos corporais, como saliva e lágrimas.

Prenvenção
 A melhor e mais eficaz prevenção da contaminação pelo HIV se dá através de programas de sexo seguro e de troca de agulhas - essa é uma estratégia fundamental para controlar a propagação da doença. Apesar de ainda não existir uma cura ou uma vacina, o tratamento antirretroviral pode retardar o desenvolvimento da doença e elevar a expectativa de vida do portador do vírus. Enquanto o tratamento antirretroviral reduz o risco de morte e de complicações da doença, estes medicamentos são caros e podem estar associados a efeitos colaterais.

O problema é que mesmo com todo esse conhecimento que temos atualmente, as taxas de mortalidade só crescem nas regiões Norte e Nordeste, enquanto que no Sudeste elas caíram, entre 2005 e 2015 – com este quadro, a estatística nacional permaneceu inalterada, continuam acontecendo 5,6 óbitos em um grupo com 100 mil habitantes. De acordo com a diretora do departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken, atribuiu o problema, sobretudo a falhas de atendimento em determinadas regiões e ao diagnóstico tardio. Atualmente, acredita-se que cerca de 112 mil pessoas no Brasil vivem com o HIV e desconhecem essa condição. Pelos cálculos do Ministério da Saúde, outras 260 mil sabem que têm o vírus, mas não querem iniciar o tratamento.

                                                                      HIV em ação

Esse é outro problema, segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, “pessoas que resistem ao tratamento merecem apoio psicológico e espiritual”. Ele afirmou haver ainda preconceito em relação à doença. “Muitos jovens temem o bullying dos colegas.”  Segundo o coordenador de projetos da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Juan Raxach, o problema é fruto, sobretudo das lacunas de informação relacionadas à aids. “Um exemplo emblemático é o Rio Grande do Sul, que concentra dados epidemiológicos alarmantes. No Estado mais afetado, praticamente não existem campanhas de conscientização, ações educativas, distribuição de preservativos, nada.” 

Homens com homens.

         Um dos pontos que mais provocam preocupação é o aumento de casos de AIDS entre a população jovem masculina. Na faixa de 20 a 24 anos, a taxa de detecção dobrou entre 2005 e 2015, passando de 16,2 casos por 100 mil habitantes para 33 casos por 100 mil. Entre homens, a redução de casos novos ocorreu apenas na faixa etária entre 35 e 49 anos. No grupo feminino, a tendência foi inversa, com redução do número de casos na faixa etária de 20 a 49 anos.

O maior avanço da doença ocorre entre homens que fazem sexo com homens - esse é considerado como um dos grupos mais vulneráveis à infecção. O problema não vem de hoje e há tempos vem sendo alvo de alertas por representantes de organizações não governamentais e especialistas em HIV-Aids. Em 2015, a forma de contágio homossexual representava 22,6% dos casos novos da doença identificados entre a população masculina. Esse porcentual subiu de forma expressiva durante esse período - ano passado, essa forma de contágio representava 36,5%.

Com a intensão de conter esse avanço, o Brasil pretende implementar no primeiro semestre de 2017 o uso de antirretrovirais entre pessoas saudáveis, como forma de evitar a contaminação pelo HIV. Batizada de Terapia Pré-Exposição (PREP), a estratégia está prevista para ser implementada em todas as capitais e ficará restrita à parcela da população considerada mais vulnerável à contaminação: homens que fazem sexo com homens, travestis, profissionais do sexo e casais em que apenas um dos parceiros tem HIV.












Fonte e Sítios Consultados


http://saude.estadao.com.br

https://pt.wikipedia.org

http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/t/videos/v/mais-de-36-milhoes-de-pessoas-no-mundo-e-827-mil-no-brasil-tem-hiv/5486603/#utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_content=gnews


16 de novembro de 2016

Será que Privatizar é a única Solução para o Brasil?




        O Brasil já vivenciou um longo período de industrialização e isso aconteceu no período ano de 1930 até meados de 1980 - sabemos que o Estado teve um papel determinante para a formação dessa economia industrial. As empresas públicas de maior expressão foram criadas no governo de Getúlio Vargas – como foi o caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN, criada em 1940), a Companhia Vale do Rio Doce (1942) e mais tarde a Petrobras (1953). Naquele tempo, praticamente todos os setores-chave da economia eram controlados pelo Estado – a história mostra que o setor bancário brasileiro contou com uma expressiva participação do Estado, com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Com a ditadura militar aqui no Brasil, esse modelo só aumentou – foram criadas centenas de novas estatais que atuavam muito além dos setores estratégicos.
        A partir dos anos 90 essa tendência começou a cair em desuso e o liberalismo econômico ganhou uma dimensão maior e foi batizado de neoliberalismo - sabe-se que essa prática econômica prega, sobretudo a não intervenção do Estado na economia, exceto em setores absolutamente essenciais para o bem público. Com isso, a ideia é que o Estado abandone ou abdique da sua participação em qualquer área que não seja segurança, educação, saúde e assistência social. O grande incentivador desse modelo econômico foi o fracasso econômico que o Brasil viveu na década de 1980 – onde a hiperinflação, a dívida externa crescente e a estagnação econômica dominaram toda a economia brasileira.
Tudo começou no governo do Presidente Fernando Collor, este foi o primeiro Presidente a promover um programa de privatizações no Estado brasileiro – ele foi batizado de Programa Nacional de Desestatização, o plano de Collor pretendia privatizar 68 empresas públicas brasileiras. Porém, somente 18 delas chegaram a passar para o setor privado ao longo de seu governo, com destaque para a privatização de boa parte das empresas siderúrgicas - aquelas que fabricam aços e ferros fundidos. Porém, houve grande polêmica na estatização da Usiminas, afinal, tratava-se de umas empresas públicas mais lucrativas do país na época – e o maior beneficiário da privatização de siderúrgicas foi o grupo Gerdau. Depois do período do impeachment de Collor, o governo Itamar Franco, continuou com o programa de privatizações – com destaque para a Companhia Siderúrgica Nacional e a Embraer.


Em 1995, durante o governo de Fernando Henrique o programa de privatizações ganhou mais força, foi quando se criou o Conselho Nacional de Desestatização, o que acelerou muito o processo de privatização de empresas públicas no país. As privatizações com maior destaque foram: Vale do Rio Doce (Vale), o sistema Telebrás (incluindo a Embratel) e 27 empresas de telefonia, e a Eletropaulo (estatal de energia elétrica) do estado de São Paulo. E não parou por aí: a Embratel foi vendida nessa época; vários bancos estaduais também passaram para mãos privadas; boa parte do setor de energia também foi ‘leiloado’ para grupos privados (como a distribuidora carioca Light).
E com isso, houve a necessidade de se criar as agências reguladoras, que passaram a cuidar das regulações das atividades de diversos setores estratégicos do país. A Anatel, por exemplo, é quem regula os serviços de telecomunicações no Brasil. É claro que nem tudo foi um mar de rosas, houve muitas manifestações públicas contra os processos de privatizações em curso. As críticas surgiam tanto pelas privatizações em si, que segundo alguns não deveriam jamais ter ocorrido, quanto pelas condições em que foram conduzidas pelo governo, consideradas extremamente prejudiciais. Até hoje muito se fala que a Vale do Rio Doce foi vendida “a preço de banana”. O valor de US$ 3,3 bilhões desembolsados por um consórcio privado seria muito inferior ao seu valor de mercado na época. Outra crítica levantada contra as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso foi à permissão do uso das chamadas “moedas podres” no processo de compra das estatais, além da atuação do BNDES, um banco público que financiou boa parte das compras.

No Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, (2003) - houve continuidade do programa de estatização do FHC, porém, com uma ênfase diferente do seu antecessor. Enquanto FHC vendia estatais, Lula focou em fazer concessões à iniciativa privada. A diferença fundamental entre os dois processos é que as privatizações têm um caráter definitivo:

- Empresas privatizadas são leiloadas, vendidas e nunca mais voltarão ao controle do Estado.

- As concessões, por sua vez, se caracterizam pela transferência temporária da execução de certas atividades do Estado para a iniciativa privada, sem passar a titularidade desses ativos para os grupos privados.


Ainda no governo Lula priorizou-se o programa de concessões de rodovias e hidrelétricas, além de privatizar os bancos estaduais do Ceará e do Maranhão. O modelo também deu preferência às empresas que fizessem as menores propostas de tarifas nas licitações, de forma que os usuários das rodovias ou consumidores dos serviços das hidrelétricas sentissem menos no bolso as concessões realizadas. Esse modelo, porém, é criticado.
No governo da Presidente Dilma não aconteceram mudanças naquele modelo ‘implementado’ no governo Lula, e com isso, foram estendidas concessões para outros setores importantes, como os aeroportos. Mas a situação que mais chamou atenção no primeiro governo Dilma foi o leilão do Campo de Libra, realizado em 2013. Libra é o primeiro campo de exploração do petróleo do pré-sal brasileiro. Nesse leilão, quatro empresas petrolíferas estrangeiras formaram um consórcio com a Petrobras, dividindo entre si o direito de explorar esses recursos. A presidente Dilma, na época, afirmou que o regime de partilha adotado para o campo de Libra não representa uma privatização, já que cerca de 85% da renda produzida pelo campo ficará nas mãos da União e da Petrobras.
Após o impeachment da Presidente Dilma, começou o governo Michel Temer e este já sinalizou interesse em dar continuidade ao programa de concessões chamado Programa de Parcerias de Investimento (PPI) que tem como objetivos destravar o programa de concessões, removendo o que chama de “entraves burocráticos e excessos de interferência do Estado”. Em seu primeiro discurso como presidente interino, o presidente Temer afirmou que o Estado deve se unir à iniciativa privada e se ater às áreas onde ele considera essencial a presença estatal (educação, saúde e segurança). Além disso, há acusações de que o governo realmente tentará privatizar empresas estatais.

Isso nos leva até aquela já conhecida discussão: privatizar realmente rende bons resultados para o país? Ou o Estado deveria manter o controle sobre áreas estratégicas da economia, como os serviços de água, luz, petróleo, mineração, entre outros?  Vamos verificar os argumentos de ambos os lados: os que defendem mais privatizações e os que defendem o fim desse processo e até mesmo a reestatização de várias empresas.


Sim a privatização - segundo os defensores da privatização,  essa prática é necessária para que o Estado brasileiro consiga sanar suas contas e aperfeiçoe sua atuação, focando-se em áreas em que realmente sua presença é importante. A necessidade de privatizar boa parte do patrimônio público advém do reconhecimento de que o Estado não é capaz de gerir tudo – muito pelo contrário, é bastante ineficiente em gerir a maior parte de seus recursos, seja pela falta de incentivos que valorizam o mérito, seja pelas muitas ingerências políticas nas atividades dessas empresas. A iniciativa privada, por sua vez, seria muito mais eficiente na gestão das empresas e dos recursos. Isso se comprova, segundo os defensores das privatizações, pelos bons resultados obtidos em privatizações feitas nas últimas décadas: o serviço de telefonia teve um salto de qualidade após a privatização da Telebrás e a entrada de investidores privados no mercado; a energia elétrica foi universalizada nos últimos anos, após várias privatizações; várias empresas privatizadas que antes eram deficitárias passaram a registrar lucros (casos da Vale e da CSN); e muitas ex-empresas públicas geram em impostos mais receita à União do que quando estavam sob controle do Estado brasileiro. Por fim, os favoráveis às privatizações afirmam que as estatais são fonte de corrupção e têm seu desempenho prejudicado por negociatas políticas.



Não a privatização - a privatização do Estado brasileiro é vista com maus olhos porque seriam impostas pelos Estados Unidos e instituições financeiras internacionais como o FMI e o Banco Mundial, todos orientados ideologicamente a favor do neoliberalismo e da economia de mercado. O pressuposto fundamental que sustenta a ideia de privatizações é que o mercado é mais eficiente do que o Estado na gestão de seus recursos. Isso é negado por grupos contrários às privatizações, como os desenvolvimentistas. Além de considerar um mito a ideia de que a iniciativa privada é mais eficiente do que o Estado e que por isso deveria herdar a maior parte do patrimônio público brasileiro, os críticos das privatizações apontam que as privatizações feitas na década de 90 foram mal conduzidas, significando na prática uma “doação” de empresas públicas a grupos privados – normalmente grupos “amigos” dos governantes que conduzem as privatizações, acusam-se –gerando contrapartidas muito baixas para o Estado brasileiro. As privatizações de FHC renderam algo em torno de R$78 bilhões, enquanto entre 1994 e 1998 a dívida pública brasileira cresceu de US$60 bi para US$245 bi. Muitas das vendas também foram subsidiadas com dinheiro público, em forma de financiamentos do BNDES, prática também muito criticada, ou seja, existem acusações graves de corrupção envolvendo os processos de privatização. Por fim, a defesa feita contra as privatizações é que o Estado não pode abdicar da participação em setores da economia que são de interesse público fundamental, sob o risco de privar a população carente de receber recursos básicos, como água, energia elétrica, entre outros.



Fonte e Sítios Consultados


http://www.politize.com.br



12 de novembro de 2016

Administração Pública - sabia mais sobre




Todos sabem que os brasileiros nunca estão satisfeitos com os serviços prestados pela nossa administração pública, pensando nisso resolvemos esclarecer algumas questões sobre este tema – a Administração pública diz respeito à estrutura administrativa pública em si, sendo essa composta também pelos serviços por ela realizados e por seus agentes componentes desse sistema administrativo. Porém o serviço público pode ser denominado como o conjunto de atividades exercidas pela administração pública por meio de suas entidades e agentes que, em primeira análise, visa satisfazer as necessidades da coletividade.

Aqui no Brasil, a organização administrativa atualmente é realizada com base na técnica da descentralização. Dessa forma, algumas atividades são realizadas diretamente pela administração pública e outras, embora ainda concretizadas pela própria administração, esta o faz por meio de órgãos especialmente criados para tal fim, ou seja, o serviço é realizado de maneira indireta – essa é a razão pela qual existe essa divisão, entre a administração pública direta e administração pública indireta.

·    Administração pública direta - é o conjunto constituído pela totalidade dos órgãos públicos centralizados, ou seja, as entidades federativas União, Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios.

·  Administração pública indireta - é o conjunto de pessoas jurídicas independentes criadas pelo Estado, como Autarquias Fundações, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista.


Por conta dessa divisão, os serviços públicos brasileiros também são realizados de maneira descentralizada, de forma que sua concretização pode se dar tanto pela estrutura estatal centralizada, como pelas instituições que, embora criadas pelo estado, não fazem parte de seu “corpo” central – e essa descentralização demonstra a transformação do que existia em relação às épocas anteriores. Não faz muito tempo, o Estado procurava centralizar tudo o que considerava como sendo serviço de relevância pública. Sabendo que no Estado impera uma estrutura tipicamente burocrática e que isso atua diretamente para que a realização de alguns serviços nunca alcance um bom nível de eficácia. Porém, sempre se levantou uma dúvida, será que essa ineficácia ocorre em razão da estrutura ou por incompetência administrativa?
E como acontece ‘em muitas vezes’ aqui no Brasil, preferiu se seguir o caminho mais fácil, o de atribuir essa ineficácia à estrutura administrativa do Estado. Desenvolveu-se, dessa forma, a teoria do “Estado mínimo”, fortemente ligado à filosofia “neoliberal”, no qual se acredita que o Estado deve ter em suas mãos somente as atividades típicas e “obrigatoriamente” estatais, de forma que tudo o que puder ser realizado de maneira descentralizada deve o seguir por este caminho.


Em razão desse ponto de vista, aconteceu não só a descentralização do Estado em si (direto e indireto), mas houve também a transferência de alguns serviços públicos para “as mãos” da iniciativa privada por meio de concessões. Em alguns casos, o Estado continua exercendo determinada atividade juntamente com a iniciativa privada, em outros, porém, a atividade foi completamente terceirizada por meio de privatizações.
E é claro que não podemos deixar de nos referir aos serviços públicos que são totalmente terceirizados, onde o Estado atua apenas na fiscalização e regulação – é o caso, por exemplo, da telefonia fixa, móvel, energia elétrica, rodovias, água e etc. Nesses casos, os serviços podem ser realizados por empresas públicas ou do setor privado. Mas houve a necessidade de se criar algumas agencias para fiscalizar e regulamentar a prestação desses serviços - são as chamadas agências reguladoras como a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) entre outras.
É interessante notar que os serviços foram terceirizados sob a justificativa de decentralizar serviços que, caso fossem realizados pelo próprio Estado não teriam grande qualidade. Mas o que o cidadão encontra atualmente? Bom, é fácil perceber que a maioria dos serviços públicos funciona em regime de concessão e que a sua qualidade é muito discutível - e que ano após ano esses serviços batem recordes e mais recordes de reclamação junto às agências reguladoras. As empresas de telefonia celular são um ‘exemplo clássico’ disso.

Podemos pensar então que para um serviço público ser bem realizado é preciso que as suas características próprias e a sua forma de administração sejam eficientes e estejam comprometidas com a satisfação do seu público, não importando se este pertence à iniciativa privada ou se ele é exercido pela administração pública diretamente.
Isso deveria nos fazer faz pensar ‘melhor’ sobre essa “revolução” que vem ocorrendo no serviço público brasileiro, que cada vez mais tende a entregar à iniciativa privada as mais diversas concessões de serviços de interesse público, que nem de longe é capaz de nos trazer garantias de que esses serviços serão prestados com qualidade aceitável.

E ainda existe um ponto que merece destaque, se uma empresa privada se interessa em realizar um determinado serviço por meio de concessão é porque esse serviço dá lucro, caso contrário, nenhuma empresa iria participar de uma licitação pública para realizar determinado serviço se não houvesse um bom retorno financeiro – então, se não existe dúvida sobre as potencialidades financeiras dos serviços que hoje são privatizados, por qual razão o próprio Estado não realiza tais serviços e fica com os ganhos dessa execução para si? Claro que para isso acontecer deveria ser criada toda uma estrutura, mas se o serviço é lucrativo, ele acabaria se pagando.
Encerramos este percebendo a incompetência administrativa da maioria dos senhores gestores públicos brasileiros – e só afirmamos isso em razão de perceber que eles preferem entregar a execução dos serviços à iniciativa privada, do que assumir as responsabilidades pela execução dos mesmos e arcar com os ônus e bônus dessas atividades.







Fonte e Sítios Consultados

http://www.estudoadministracao.com.br



5 de novembro de 2016

Clientes na Crise – como se comportam?



Em momentos de crise financeira, é natural que os consumidores assumam outras posturas ao efetuarem suas compras. Basicamente as pessoas tendem a se comportar com mais cautela e a tratar com mais cuidado o seu dinheiro e a partir disso, o consumidor pesquisa mais e analisa melhor a marca, consultam mais páginas na Net, o estabelecimento ou os serviços que oferecem os melhores custos-benefícios – e isso começa pela agilidade do atendimento, pela facilidade de pagamento e por uma oferta de desconto à vista.
Algumas pesquisas, como a da Dunnhumby (empresa inglesa líder mundial em ciência do consumidor) que após analisar dados de mais de 780 milhões de clientes globais, identificou um novo perfil de consumidor – trata-se daquele consumidor que não quer abrir mão dos seus ganhos de padrão de vida que foram conquistados durante essa última década. Para isso, eles economizam em produtos mais básicos para poder manter os seus pequenos luxos e extravagancias.
Quando o dinheiro se torna escasso, os produtos supérfluos (aqueles que são menos necessários para a sobrevivência) são os primeiros itens a serem cortados, porém, é possível observar que esse conceito de supérfluo é muito diferente quando falamos de classes distintas. Por exemplo: a classe A não considera como supérfluo uma viagem ao exterior, e a classe B não deixa de jantar fora, enquanto que a classe C chega a cortar produtos de limpeza em momentos de crise.



   Em períodos de recessão, é possível dividir o consumidor por grupos:



  • ·        Grupo pé-no-freio é o mais atingido e corta todo tipo de gasto.


  • ·        Grupo abalado-mas-paciente também economiza em tudo, mas com menos agressividade. O consumidor em situação tranquila mantém o nível de consumo próximo dos níveis pré-recessão, mas fica um pouco mais seletivo com o que compra (e ostenta menos).


  • ·        Grupo que vive-o-presente e continua agindo como sempre; sua reação à crise é, basicamente, adiar compras de grande valor.

É comum que as pessoas mudem de grupo se a sua situação econômica piorar muito durante o período de crise - independentemente do grupo ao qual pertençam, os consumidores classificam produtos e serviços em quatro categorias para priorizar os gastos:


·  Artigos essenciais (são necessários para a subsistência ou considerados fundamentais para o bem-estar);

·  Agrados (fonte de prazer cuja compra imediata é tida como justificável);

·     Artigos adiáveis (são coisas necessárias ou desejadas cuja compra pode ser postergada) e;

·  Dispensáveis (são coisas necessárias ou desejadas cuja compra pode ser postergada).


É fácil de observar que todos os consumidores se esforçam para não abrir mão de certos caprichos conquistados ao longo dos anos – e isso acontece em qualquer classe social. O consumidor tende a manter o consumo dos produtos que reforçam o seu estilo de vida, poupando em outras frentes. Por exemplo: uma pessoa que leva uma vida mais saudável possivelmente não irá abrir mão de consumir produtos naturais; porém, para balancear as contas é possível que ele economize na compra de produtos de limpeza ou em outras compras, como perfumaria e entretenimento.
Chegamos ao final deste, com o clássico exemplo econômico da diferença de consumo entre as classes sociais, afinal ele é facilmente percebido pelos comércios que vendem carnes – isso porque quando o preço da carne bovina sobe, o consumidor de maior renda tende a trocar parte do seu consumo de carne bovina por cortes de aves ou peixes, enquanto que o consumidor de renda mais baixa simplesmente passa para os cortes mais baratos, como carne de porco. Isso significa dizer que as crises são as maiores responsáveis pela mudança na maneira de como a população se comporta e como ela irá se dividir em públicos que consomem de formas diferentes. E isso só acontece devido ao consumidor estar mais atento afinal, ele dá mais valor ao seu dinheiro e pesquisa mais com a ajuda da internet.


Esse é o melhor sinal que as empresas recebem de como devem agir, ofertando melhores preços, melhores formas de pagamento, atendendo com agilidade e qualidade, e prestando um bom pós-venda - tudo isso para conseguir efetivar suas vendas e criar um vinculo com os clientes nessa época de crise.


29 de outubro de 2016

Imagens da Organização, de Gareth Morgan



No livro Imagens da Organização - obra literária do autor Gareth Morgan é possível acompanhar ideias através de metáforas dentro de outras metáforas, ou seja, a metáfora de se efetuar a “leitura da organização” – é interessante verificar como muitas ideias convencionais sobre as organizações e sobre a administração foram construídas baseadas em um pequeno número de imagens apontadas como certas, especialmente a mecânica e a biológica. Ainda é possível fazer a exploração de um conjunto alternativo de imagens que procuram demonstrar como é viável a criação de novas maneiras de pensar sobre a organização. E também se procura afirmar que esse método geral de análise pode ser usado como um instrumento prático de diagnóstico dos problemas organizacionais - bem como de administração e planejamento das organizações de maneira mais ampla. E, finalmente, a procura pela exploração das implicações levantadas por esse tipo de análise.
Ainda falando a respeito das metáforas: existem várias obras de literatura que demonstram o impacto das metáforas em relação ao modo pelo qual se pensa e se fala ‘em relação’ aos sistemas de conhecimento corriqueiro e do conhecimento científico. A utilização de metáforas implica num modo de pensar e em uma forma de ver que permeiam a maneira pela qual entendemos nosso mundo em geral.
Seguindo essa concepção, a forma mecânica de pensar, arraigada nas nossas mentes durante tantas décadas, alicerçou o estilo burocrático criando dificuldades para a entrada de novas percepções organizacionais. Afinal, todos aprendem nas universidades que as organizações são propostas como ‘um fim’ em si mesmas. São instrumentos criados para atingirem outros fins. Isso é um claro reflexo das origens da palavra organização que deriva do grego orgamon - que significa uma ferramenta ou instrumento.
A história nos conta que durante o século XIX foram feitas várias tentativas para codificar e promover algumas ideias que poderiam levar as organizações a uma gestão eficiente no trabalho. O autor Gareth Morgan justifica dizendo que, muitos teóricos em ciência social observaram que vivemos em uma sociedade tecnológica, dominada pelas necessidades das máquinas e por modelos mecânicos de raciocínio. Os elementos da teoria mecanicista apareceram pela primeira vez nas ideias dos “atomistas” gregos, tais como Demócrito e Leucipo, no período compreendido entre o século V e o I A.C.. E eles ‘realmente’ acreditavam que o mundo era composto de partículas indivisíveis, em movimento e dentro de um vácuo infinito e que todas as formas, movimentos e mudanças poderiam ser explicados em termos do tamanho, forma e movimento dos átomos. Também sabemos que esta visão mecânica influenciou o pensamento científico até o século X e tem a sua mais completa e extensiva compreensão nas contribuições do físico Isaac Newton - que desenvolveu uma teoria do universo enquanto maquina celestial.

Pensando dentro do campo da filosofia, as ideias mecanicistas têm exercido influência poderosa em relação às teorias da mente humana e a respeito da natureza e do conhecimento e da realidade. Neste momento o autor direciona-se ao filósofo francês René Descartes dizendo que ele fixou importantes fundamentações para estes desenvolvimentos na sua famosa obra Discurso sobre o método, publicado em 1637 e na qual apresentava argumentos justificando uma separação entre o corpo e mente e entre sujeito e objeto, numa tentativa de colocar o processo de raciocínio humano dentro de uma base tão sólida quanto possível.
Com relação à ciência social, a ideia de que o homem é uma máquina exerceu forte influência sobre a psicologia do comportamento, especialmente através do pensamento de que os seres humanos são produtos de forças ambientais. Agora, em relação às ligações entre a abordagem mecânica e a vida quotidiana, é interessante observar como as pessoas chegaram a tratar os seus corpos como máquinas. Isto se torna mais evidente em muitas das abordagens de condicionamento físico nas quais o objetivo principal é “ficar em forma”, desenvolvendo o corpo via jogging, calistenia, musculação e ginástica.
 Morgan cita o sociólogo Max Weber (1946, 1947) que discute os paralelos entre mecanização e organização. Ao se tentar compreender o seu trabalho, é importante perceber que Weber não estava interessado em estudar as organizações formais enquanto ‘fins em si mesmas’. Ao contrário, estava preocupado em compreender o processo de organização, processo este que assume diferentes formas em diferentes contextos e em diferentes épocas, fazendo parte de um contexto social mais amplo. Assim, a forma burocrática de organização foi vista como uma sociedade como um todo, enfatizando a importância das relações ‘meios fins’ - as mudanças na estrutura organizacional visaram a uma operação tão precisa quanto possível dentro dos padrões de autoridade, como por exemplo, em termos das responsabilidades nos cargos e o direito de dar ordens e exigir obediência.
Segundo o autor Gareth Morgan, toda a crença sobre a teoria da administração clássica e a sua aplicação moderna estava em sugerir que as organizações podem ou devem ser sistemas racionais que operam de maneira tão eficiente quanto possível. Além disso, os princípios da Administração Científica só foram estabelecidos por Taylor - que era um homem com visão obsessiva, sustentada por uma determinação de implantá-la a qualquer custo. Afinal, foi Taylor quem defendeu o uso de estudos de tempos e movimentos como meio de analisar e padronizar as atividades de trabalho – o Impacto da Administração Cientifica na engenharia industrial, psicologia industrial, moderna ergonomia e no estudo do trabalho foi observado em praticamente todos os textos modernos de administração industrial.

É lícito se pensar nas organizações como se fossem organismos - a Biologia classifica os organismos em espécies, questiona a descrição geográfica, a linha de decadência e as mudanças evolutivas. Não foi a toa que o autor Gareth Morgan descreveu a organização baseando-se na biologia, desde os anos 50. O pensamento biológico influenciou a teoria organizacional e social desde pelo menos o século XIX através dos trabalhos de Spencer (1873, 1876, 1884), Durkheim (1934, 1938, 1951) e Radcliffe-Brown (1952). Estes foram os trabalhadores de base que influenciaram a poderosa escola de pensamento em Sociologia denominada funcionalismo estrutural, trazida à notoriedade nos anos 50 e 60 por Talcott Parsons (1951).
A utilização da metáfora orgânica focalizava as organizações como unidades chaves da análise – e ponderava como as organizações e os seus membros podiam ser vistos como tendo diferentes conjuntos de “necessidades” e examinavam como as organizações podiam desenvolver padrões de relacionamento que permitiriam a elas se ‘adaptarem’ ao seu ambiente. Os sistemas orgânicos, seja uma célula do organismo complexo, seja uma população de organismos, existem num contínuo processo e trocas com os seus ambientes – essa troca é crucial para a manutenção da vida e da forma de sistema, uma vez que todas as interações com ambiente são fundamentais para a automanutenção. Os sistemas vivos são “sistemas abertos”. O conceito de “sistema aberto” foi elaborado através do uso de princípios biológicos por Von Bertalanffy (1950, 1968) e muitos outros.
Alguns dos desenvolvimentos mais recente das teorias dos sistemas foram bastante influenciados por perspectivas que enfatizam o equilíbrio e o homeostase. Recentemente, entretanto, muito maior atenção tem sido devotada à análise de instabilidade - as organizações podem ser classificadas de acordo com o tipo de arranjo estrutural, isto é, caso adotem estruturas burocrático-mecanicistas, orgânicas, matriciais, ou departamentalizadas, conforme as bases de autoridade, tamanhos e resultados em diferentes escalas de medida. Entre as classificações dos tipos de tecnologia, existem aquelas que diferenciam entre produto em massa, processo, unidade, ou pequenos lotes (Woodwrd, 1965), as que consideram a complexibilidade e o grau de análise dos processos de trabalho (Perrow, 1967), as que levam em conta a tecnologia de operações, conhecimentos e materiais utilizados (Hickson, Pugh e Pheysey, 1969) e, por fim, aquelas que se baseiam na interdependência das tarefas (Thompson, 1967) e no próprio estágio de evolução tecnológica (Mckelvey e Aldrich, 1983).
Segundo o autor Gareth Morgan, as organizações podem ser classificadas de acordo com o tipo das relações que desenvolvem com os seus empregados. Isto se acha ligado de maneira crucial com o tipo de motivação ou uso de poder de empregados. Por exemplo, Etzioni (1961) fez a distinção entre organizações coercitivas, utilitaristas e normativas (isto é, prisões, empresas e igrejas) e que poderiam estar baseadas em envolvimento alienante, calculado ou moral.
Já a tipologia organizacional de Blau e Scott (1962) focalizava no beneficiário principal, pois estes autores argumentam que diferentes características organizacionais estão associadas com o modo pelo qual as organizações são controladas e as recompensas distribuídas. Diferenciam entre as associações de benefício múltiplo, voltadas para os negócios, organizações de serviços e previdenciárias, em que os beneficiários principais são, respectivamente, os associados, os donos e gerentes, os clientes, e o público em geral – isso significa dizer que as organizações poderiam ser classificadas conforme a maneira pela ‘quais diferentes variáveis’ se agrupam para formar configurações, padrões ou arquétipos (Miller e Mintzberg, 1983). Uma maneira de identificar tais configurações é conduzir estudos de casos ou pesquisas empíricas de tantas organizações quanto possível, a fim de verificar quais padrões emergem.

O autor Gareth Morgan comparou a organização com um cérebro. O estudo do cérebro coloca um problema único de reflexividade e de construção de conhecimento, uma vez que utilizam cérebros para compreender cérebros. Não é de surpreender, então, que o processo se tenha baseado em vários diferentes tipos de metáforas, à medida que os cientistas tenham procurado por imagens apropriadas para dar sentido a esta complexa parte da anatomia - embora os administradores tenham há muito reconhecido a importância de se desenvolverem bons sistemas de comunicação para a transmissão de informações relevantes para onde isto se faz necessário, a ideia de utilizar o cérebro como metáfora para a organização cria novas e excitantes possibilidades. Comparado com a complexidade e o mistério da moderna pesquisa a respeito do cérebro, o emprego da metáfora do cérebro na teoria organizacional encontra-se em um estágio humilde de desenvolvimento. Essa metáfora do cérebro auxilia muito na compreensão de que uma organização pode ser vista como um sistema cognitivo, corporificando tanto uma estrutura de pensamento, como um padrão de ações, enquanto que nas teorias tradicionais de organização a atenção tem sido devotada ao modo pelo qual os elos de comunicação são estabelecidos entre os diferentes componentes organizacionais.
      Existe um capítulo dedicado à criação da realidade social partindo da organização vista como cultura. Cultura, na língua inglesa, é um conceito moderno, usado em um sentido antropológico e ligado às ciências sociais para fazer referência ampla à “civilização” e à “herança social”, jamais antes de 1871. Este significado da palavra cultura não aparece em nenhum dicionário inglês até os anos 20. A interpretação da metáfora da cultura adotada nesse capítulo reveste-se de um caráter amplo, já que muitas das ideias discutidas formam um conjunto de descobertas que, em princípio, poderiam ter sido desenvolvidas em si próprias. Por exemplo, em vários pontos de discussão foram feitas referências a ideias de que a atividade organizacional pode ser compreendida como linguagem, participação em um jogo, drama, teatro, ou até mesmo um texto.


Pelo fato dos administradores falarem muito sobre autoridade, poder e relações superior-subordinado houve a tentativa de entender as organizações como sistemas de governo e tentando desvendar a detalhada política da vida organizacional é possível compreender qualidades importantes da organização que são frequentemente encobertas ou ignoradas – também é certo que qualquer discussão a respeito de política e de sistemas políticos necessita fazer referência ao trabalho de Aristóteles. A sua ideia de que a política é um modo de criar ordem é central em todo o pensamento político, mostrando como a sociedade pode evitar uma degeneração no sentido daquilo que Thomas Hobbes (1951) descreveu como uma guerra de todos contra todos. O pensamento de estabelecer os laços entre modelos organizacionais e sistemas de regras políticas tem sido apreciado há bastante tempo por cientistas políticos interessados em compreender o significado político da organização e as relações entre organização e
Em um determinado momento existiu a exploração de dois aspectos da prisão psíquica: um associado ao inconsciente e o outro ligado ao papel da ideologia. Nesta metáfora combinou-se a ideia de que as organizações são fenômenos psíquicos, no sentido de que são processos conscientes e inconscientes que as criam e as mantém como tais, com a noção de que as essas podem tornar-se confinadas ou prisioneiros de imagens, ideias, pensamentos e ações que esses processos podem gerar – é justo reconhecer que algumas ideias expressas nestes e em outros trabalhos caracterizam uma longa história do pensamento social, iniciado por Platão - quando falava sobre a caverna subterrânea, cuja entrada se acha voltada para uma fogueira crepitante. Dentro dela encontram-se pessoas acorrentadas de tal modo que não podem mover-se. Os moradores da caverna conseguem enxergar a parede à sua frente onde se projetam sombras. Essas pessoas conversam com elas. Mas, segundo Sócrates, se um deles deixasse a caverna veria que as sombras nada mais são do que reflexos escuros.
                                                                              Gareth Morgan
Também os trabalhos de Freud, Jung e de vários “teóricos críticos” desenvolveram novos ataques em relação ao problema básico, ligando a ideia de que os humanos caem em armadilhas preparadas pelas suas preocupações, imagens e conceitos com a necessidade de critica radical desta situação. Enquanto que os indivíduos criam a sua realidade e, assiduamente o fazem de formas confinadoras e alienantes - na verdade, organização como ideologia poderia ser um grande argumento a ser desenvolvido por si só. Isto iria requerer que uma tentativa fosse feita no sentido de compreender como a vida organizacional reflete um processo de construção da realidade baseada em poder, além de determinar como as pessoas se tornam alvo de ideias que servem a conjuntos específicos interesses.
O autor discorreu sobre uma visão que recebeu pouca atenção dentro da teoria organizacional e, que teve como ponto de partida as ideias de Heráclito que apresentavam muito em comum com a milenar filosofia chinesa do Taoísmo. Apesar da importante influência de Heráclito na evolução da ciência e do pensamento ocidentais, as suas ideias só puderam ser compreendidas e lidas através de fontes secundárias. Wheelwright (1959) fornece um excelente panorama - Bohn utilizou metáforas para expressar o seu ponto de vista. Por exemplo, convidou a enxergar o universo como um conjunto de relações que se desdobram, assim como aquelas encontradas em uma sinfonia musical, em que diferentes notas e instrumentos evoluem dentro de uma relação para criar um som codificado na ordem implícita de pauta musical.
Quando se aprecia a teoria de Bohn é importante perceber que este coloca considerável ênfase na criatividade inerente à ordem implícita. Na verdade, sugere que o seu reino pode ser o da pura criatividade, um conjunto de potencialidades que se tornam explícitas de maneira probabilística – ele evidencia que as ordens explícitas e implícitas se encontram em interação e podem produzir e reproduzir formas através de um ciclo de projeção, injeção e ‘reprojeção’. As formas percebidas na ordem explícita permite-se certo grau de autonomia e ‘auto-regulagem, embora sejam sempre vistas como dependentes de forças mais profundas dentro da ordem implícita para que possam existir. Sob condições apropriadas, determinadas ordens explícitas tornam-se prováveis ou possíveis, realizando a lógica do sistema. A análise de Bohn pretende sugerir que a nossa realidade é moldada por mecanismos geradores que veem do domínio real e que os domínios do atual e do empírico são, na verdade, tendências percebidas que emprestam forma especifica a processos dentro do primeiro domínio. Este tipo de análise busca uma explicação sobre a estrutura profunda da vida social e fornece um modo de reinterpretar o papel e a importância do inconsciente, da cultura e de outras forças sociais geradoras. Possuem muito mais em comum com teorias mais materialistas que enfatizam como a sociedade “se expande” de acordo com algum tipo de estrutura lógica.
Neste ponto do livro, a metáfora da organização traz para o centro da nossa atenção o lado avesso da vida organizacional, convidando-nos a examinar a extensão na qual representa um aspecto intrínseco do modo pelo qual decidimos organizar - isso porque na maioria das vezes, quando estas questões são tratadas na teoria organizacional, as mesmas são vistas como adversidades, ou então como efeitos colaterais não intencionais, ou ainda como questões ligadas à ética da organização e ao relacionamento entre esta e a sociedade - ao considerar a metáfora da dominação como uma estrutura básica para a análise organizacional, a discussão deste capítulo tenta colocar estas questões na via principal, no sentido de que devem ser tratadas como dominantes nas colocações sobre a natureza e sucesso das organizações na sociedade moderna. Por exemplo, muitas empresas, sob outros aspectos excelentes, repetidas vezes possuem registros bastante questionáveis no que diz respeito ao impacto que causam no ambiente, na força de trabalho das fábricas e no Terceiro Mundo. Embora tenham obtido uma condição desenvolvida e admirável em termos de certos aspectos da prática gerencial interna, existe sempre um lado avesso desta excelência que quase sempre é complemente ignorado.

Para Morgan, as organizações podem ser muitas ao mesmo tempo, uma organização do tipo máquina pode ser uma espécie de organismo que é capaz de sobreviver em determinados ambientes, mas não em outros; um sistema de processamento de informações que se revela especializado para certos tipos de aprendizagem, mas não para outros; um meio cultural caracterizado por valores, crenças e práticas sociais distintos, um sistema político no qual as pessoas colidem para garantir os seus próprios fins, uma arena onde várias lutas subconscientes ou ideológicas têm lugar; um símbolo ou manifestação de um processo mais profundo de mudança social; um instrumento usado por um grupo de pessoas para explorar ou dominar os outros, e assim por diante.
Se pensarmos que alguns processos de leitura através de leitura-diagnóstico e de avaliação críticas podem estar combinados para criar um modelo de compreensão, a linha de evolução histórica, que sugere uma abordagem. Imaginemos que a leitura detalhada da organização conduza na linha evolutiva, na qual as mudanças teriam ocorrido em função de um desejo consciente de Jim Walsh de “organizar-se”. Agora, e se as investigações detalhadas revelassem que não existiam intenções ocultas e que o desejo de Walsh tenha sido uma consequência da sua crença implícita de que organização signifique burocratização? Isto provaria que havia uma ansiedade para se chegar a uma ‘especifiquização’ clara dos procedimentos e responsabilidade - o autor conclui que o segredo é aprender como é possível estabelecer uma forma de diálogo com a situação que esse está tentando compreender.
O autor Gareth Morgan defende a ideia de que as organizações são muitas coisas ao mesmo tempo e, esclarece que, o modo de encarar o fenômeno transforma a compreensão da natureza do fenômeno. Imagens e metáforas não são apenas formas de interpretação ou maneiras de se encarar a realidade: elas disponibilizam também uma estrutura para a ação. A organização é sempre determinada por imagens e ideias subjacentes, a tarefa de organizar é realizada conforme se imagina e, sempre é possível se imaginar de formas diferentes.
Ao invés de só interpretar como as organizações são esta obra literária procura demonstrar a possibilidade de mudá-las - ao reconhecer os laços estreitos entre pensamento e ação na vida organizacional é possível também reconhecer que o modo pelo qual é feita a “leitura” das organizações influencia como as mesmas são concretizadas. Imagens e metáforas não são somente construtos interpretativos na tarefa de análise. São fatores intrínsecos ao processo de ‘imaginização’ através do qual as pessoas podem representar ou “descrever” a natureza da vida organizacional.
Encerramos este esperando que a leitura deste livro possibilite a visualização da organização de ângulos diferentes, sob a ótica das metáforas como uma forma de leitura para o entendimento da vida organizacional onde se revela a lógica da mudança; as organizações como instrumentos de dominação, possibilitando que olhemos a empresa de uma forma diferente. Nos leva a uma reflexão sobre as metas e objetivos, observando que o trabalho pode não ser rotineiro e repetitivo – assim como as organizações funcionam de forma semelhante às máquinas, elas também convivem com seus conflitos e os seus jogos de interesses ao mesmo tempo em que podem ser uma organização estruturada como um sistema político.












Fonte e Sítios Consultados

Morgan, Gareth,  Imagens da Organização, Editora Atlas S. A. São Paulo, 1996


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