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Conteúdos Acadêmicos da Graduação em Administração e assuntos.

3 de março de 2011

DEMANDA, OFERTA E EQUILÍBRIO DE MERCADO


DEMANDA, OFERTA E EQUILÍBRIO DE MERCADO   

    

Este estudo está baseado no quinto capítulo do Livro Fundamentos de Economia, de Vasconcellos e Garcia, onde está destacada a Demanda, a Oferta e o Equilibro de Mercado. Para estudarmos estes itens, será necessário acompanharmos um breve histórico, já que os fundamentos da análise da demanda ou da procura estão alicerçados no conceito subjetivo de utilidade. A utilidade representa o Grau de Satisfação que os Consumidores atribuem aos Bens e Serviços que podem adquirir no Mercado. Ou seja, a utilidade é a qualidade que os bens econômicos possuem de satisfazer as necessidades humanas. Como está baseada em aspectos psicológicos ou preferências, a utilidade difere de consumidor para consumidor (alguns preferem cerveja, outros uísque e assim caminha a humanidade...).

 
 

 A Teoria do Valor-Utilidade contrapõe-se à chamada Teoria do Valor Trabalho, desenvolvida por alguns economistas clássicos. A Teoria do Valor-Utilidade pressupõe que o valor de um bem se forma pela sua demanda, isto é, considera que o valor nasce da relação do homem com os objetos. Representa a chamada Visão Utilitarista, onde prepondera a soberania do consumidor, pilar do capitalismo. A Teoria do Valor Trabalho considera que o valor de um bem se forma do lado da oferta, através dos custos do trabalho incorporados ao bem. Os Custos de produção eram representados basicamente pelo fator mão de obra, em que a Terra era praticamente gratuita (abundante), e o capital pouco significativo. Pela Teoria do Valor Trabalho, o valor do bem surge da relação social entre homens, dependendo do tempo produtivo que eles incorporam ao bem. Neste sentido, a Teoria do Valor Trabalho é objetiva (depende de custos). Pode-se dizer que a Teoria do Valor Utilidade veio complementar a Teoria do Valor Trabalho, pois não era mais possível predizer o comportamento dos preços dos bens apenas com base nos custos da mão de obra (ou mesmo custos em geral) sem considerar o lado da demanda (padrão de gostos, hábitos, renda, etc.).

 

Resumindo, a Teoria do Valor-Utilidade permitiu distinguir o valor de uso do valor de troca de um bem. O valor de uso é á utilidade que ele represente para o consumidor. Valor de Troca se forma pelo preço no mercado, pelo encontro da oferta e da demanda do bem. A Teoria da Demanda baseia-se na Teoria do Valor-Utilidade.

 
 

A Utilidade Total e a Utilidade Marginal

 
No final do século passado, alguns Economistas elaboraram o conceito de utilidade marginal e dele derivaram a curva da demanda e suas propriedades. Tem-se que a utilidade total tende a aumentar quanto maior a quantidade consumida do bem ou serviço. Entretanto, a utilidade marginal, que é a satisfação adicional (na margem) obtida pelo consumo de mais uma unidade do bem, é decrescente, porque o consumidor vai perdendo a capacidade de percepção da utilidade por ele proporcionada, chegando à saturação. O chamado paradoxo da água e do diamante ilustra a importância do conceito de utilidade marginal. Por que a água, mais necessária, é tão barata, e o diamante, supérfluo, tem preço tão elevado? Ocorre que a água tem grande utilidade total, mas baixa utilidade marginal (é abundante), enquanto o diamante, por ser escasso, tem grande utilidade marginal e total.

 

A Demanda de Mercado

 
Conceito: “A demanda ou procura pode ser definida como a quantidade de um determinado bem ou séricos que os consumidores desejam adquirir em determinado período de tempo.” Essa procura depende de variáveis que influenciam a escolha do consumidor. São elas: o preço do bem ou serviço, o preço dos outros bens, a renda do consumidor e o gosto ou preferência do individuo. Para se estudar a influencia dessas variáveis consideram-se cada uma dessas “variáveis” afetando separadamente as decisões do consumidor.

 
 

A Lei Geral da Demanda

 
Há uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do bem. É a chamada Lei Geral da Demanda. Essa relação pode ser observada a partir dos conceitos de escala de procura, curva de procura ou função demanda.

A relação quantidade/preço procurada pode ser representada por uma escala de procura, conforme a apresentada abaixo: 



Alternativas de preço ($)
Quantidade demandada
                                                  1,00
                                                12.000,00
                                                  3,00
                                                 8.000,00
                                                  6,00
                                                 4.000,00
                                                 8,00
                                                 3.000,00
                                                10,00
                                                 2.000,00


  

Os economistas supõem que a curva ou a escala de procura revela as preferências dos consumidores, sob a hipótese de que estão maximizando sua utilização, ou grau de satisfação no consumo daquele produto. Ou seja, subjacente à curva há toda uma teoria de valor, que envolve os fundamentos psicológicos do consumidor. A curva de procura inclina-se de cima para baixo, no sentido da esquerda para a direita, refletindo o fato de que a quantidade procurada de determinado produto varia inversamente com relação a seu preço. Matematicamente, a relação entre a quantidade demandada e o preço de um bem ou serviço pode ser expressa pela chamada função demanda ou equação da demanda:

Q = f(p)

d

Qd = Quantidade procurada de um determinado bem ou serviço, num dado período de tempo,
 

P = preço do bem ou serviço.

A expressão Q = f(p) significa que a quantidade demandada Q é uma função f do preço, isto é,

d d

depende do preço P.

A curva de demanda é negativamente inclinada devido ao efeito conjunto de dois fatores: o efeito substituição e o efeito renda. Se o preço de um bem aumenta, a queda da quantidade demandada será provocada por esses dois efeitos somados:

 

a)    Efeito substituição: se um bem possui um substituto, ou seja, outro bem similar que satisfaça a mesma necessidade, quando seu preço aumenta, o consumidor passa a adquirir o bem substituto, reduzindo assim sua demanda. Por exemplo: se o preço da caixa de fósforos subir demasiadamente, os consumidores passarão a demandar isqueiros, reduzindo assim sua demanda por fósforo.

 

b)    Efeito renda: quando aumenta o preço de um bem, tudo o mais constante (renda do consumidor e preços de outros bens constantes), o consumidor perde poder aquisitivo, e a demanda por esse produto diminui. Assim, embora seu salário monetário não tenha sofrido nenhuma alteração, seu salário “real”, em termos de poder de compra, foi corroído.
 

 
 
Existem outras variáveis que afetam a demanda de um bem, efetivamente, a procura de uma mercadoria não é influenciada apenas por seu preço. Existe uma série de outras variáveis que também afetam a procura. Para a maioria dos produtos, a procura será também afetada pela renda dos consumidores, pelo preço dos bens substitutos (ou concorrentes), pelo preço dos bens complementares e pelas preferências ou hábitos dos consumidores. Se a renda dos consumidores aumenta e a demanda do produto também, temos um bem normal.

 

Existe também uma classe de bens que são chamados bens inferiores, cuja demanda varia em sentido inverso às variações da renda; por exemplo, se o consumidor ficar mais rico, diminuirá o consumo de carne de segunda e aumentará o consumo de carne de primeira. Temos ainda o caso de bens de consumo saciados, quando a demanda do bem não é influenciada pela renda dos consumidores (arroz, farinha, sal, etc.).

 

A demanda de um bem ou serviço também pode ser influenciada pelos preços de outros bens e serviços. Quando há uma relação direta entre preço de um bem e quantidade de outro, eles são chamados de bens substitutos ou concorrentes. Por exemplo, um aumento no preço da carne deve elevar a demanda de peixe. Quando há uma relação inversa entre o preço de um bem e a demanda de outro, eles são chamados de bens complementares (quantidade de automóveis e preço da gasolina, quantidade de camisas sociais e preço das gravatas, etc.).

 
E finalmente, a demanda de um bem ou serviço também sofre a influencia dos hábitos e preferências dos consumidores. Os gastos em publicidade e propaganda objetivam justamente aumentar a procura de bens e serviços influenciando suas preferências e hábitos. Além das variáveis anteriores que se aplicam ao nosso estudo da procura pela maior parte dos bens, alguns produtos são afetados por fatores mais específicos, como efeitos sazonais e localização do consumidor, ou fatores mais gerais, como condições de crediário, perspectivas da economia, congelamentos ou tabelamentos de preços e salários, etc.


Distinção entre demanda e quantidade demandada

Embora tendam a ser utilizados como sinônimos, esses termos têm significados diferentes. Por demanda entende-se toda a escala ou curva que relaciona os possíveis preços a determinadas quantidades. Por quantidade demandada devemos entender um ponto especifico da curva relacionando um preço a uma quantidade.



       Fonte

VASCONCELLOS, Marco Antonio S. e GARCIA Manuel E. Fundamentos de Economia. São Paulo, Saraiva, 2002


    


Bibliografia

VASCONCELLOS, Marco Antonio S. e GARCIA Manuel E. Fundamentos de Economia. São Paulo, Saraiva, 2002

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