28 de fevereiro de 2013

A Economia Criativa na Gestão do Conhecimento


A economia criativa

O conceito é novo. Existe há pouco mais de 15 anos no mundo e surgiu da necessidade de privilegiar um ramo de atuação onde as ideias têm mais valor que o produto em si. São áreas como design, entretenimento, moda e arquitetura que usam a criatividade e a capacidade intelectual como matéria-prima.



Na era industrial, esses setores não faziam parte da economia, não figuravam nas estatísticas oficiais. Mas com a evolução tecnológica e a disseminação da informação, eles passaram a ser considerados e MUITO valorizados.

O case da marca Havaianas é ilustrativo dessa nova economia. O que se vende além da sandália de borracha? Diversidade, alegria, paixão. E isso vem com o trabalho bem feito do design, da propaganda, da elaboração do discurso. Agregou-se valor ao que era apenas um chinelo. Vendeu-se o conceito.

Em um mundo cada vez mais virtual, menos palpável, os valores intangíveis passam a ser percebidos com clareza pelo consumidor. É nisto que se focam os que trabalham com criação, atendimento, cultura e inovação. A nova economia caminha na busca pela diferenciação, conquistada com criatividade e conhecimento. É o oposto da linha de produção, da rigidez do mercado, da mão de obra sem qualificação.

Países como a Inglaterra já perceberam isso e estimulam o setor como um dos mais promissores do século XXI. Algumas cidades caminham no mesmo sentido, apoiando movimentos culturais, diversidade e sustentabilidade na vida urbana. No Brasil, a matéria-prima criativa é abundante. Falta sistematização e incentivo para transformar esse talento em lucro.

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Gestão do Conhecimento

 - Economia baseada no conhecimento

As transformações que ocorreram no final do século xx marcaram a história da humanidade, mudando o estilo de vida das pessoas e o comportamento das organizações. O acesso à informação mudou a economia global, redefinindo os cargos e a situação dos gestores.

  
 

Principais Mudanças

 
Era Industrial
Era do Conhecimento
Músculo
Cérebro
Tangível
Intangível
Massa
Diversidade
Hierarquia
Redes
Comando
Persuasão
Padronização
Customização
Sistemas Fechados
Sistemas Abertos
Capital
Conhecimento
 
 

 

 - Ativos Intangíveis



São recursos incorpóreos controlados pela empresa, capazes de produzir benefícios futuros, é a propriedade imaterial da empresa que agrega valor automático.

Exemplos: Marca e nomes de produtos, direitos autorais, licenças e concessões, franquias, pesquisas e o desenvolvimento de software, capacidade administrativa, relacionamento com clientes, stakeholders, know-how e uma propaganda eficiente.

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A Trajetória da Marca Havaianas

Trilhar o sucesso implica eventuais acidentes de percurso e ousar seguir por caminhos até então inexplorados. A frase praticamente resume a trajetória da marca Havaianas, da São Paulo Alpargatas. A sandália de borracha, inspirada no sapato trazido por imigrantes orientais, caiu demais no chamado gosto popular e virou símbolo da classe trabalhadora brasileira. A estratégia funcionou até meados dos anos 1990, quando a marca teve de se reinventar. Ela se transformou em ícone fashion, com espaço garantido em armários de celebridades. E foi além. Sob o comando de Márcio Utsch, a Havaianas passou a ter uma espécie de função diplomática informal no sentido de ajudar a divulgar o País no exterior.

Toda essa reviravolta não foi obra do acaso e, sim, de um reposicionamento de marca habilmente planejado e desenvolvido há quase 15 anos. O presidente da Alpargatas, Márcio Utsch, é direto: “nossa estratégia é ser uma empresa global de marcas”. Na entrevista a seguir, o executivo detalha o trabalho que envolve um dos ativos intangíveis mais estratégicos da empresa: suas marcas. O portfólio da organização inclui também Rainha, Mizuno, Topper, Timberland e Sete Léguas. Fala ainda de outros fatores decisivos para os negócios da empresa: ter um time composto por pessoas talentosas e manter um diálogo permanente com consumidores e fãs. E isso inclui até respostas a cartas de clientes que Utsch faz questão de ele próprio responder.



- Acompanhe a entrevista de Márcio Utsch concedida para consumidormoderno.uol.com.br

Consumidor Moderno: O que significa para a empresa São Paulo Alpargatas ter vencido o Prêmio Intangíveis Brasil (PI B), na categoria especial Marca Brasil?

Márcio Utsch: É uma honra e um orgulho muito grande receber esse reconhecimento com a nossa principal marca, a Havaianas. Ela representa mais ou menos 50% da empresa. A outra metade está em outras marcas, entre elas Rainha, Topper, Mizuno e Timberland. Portanto o prêmio é uma vitória dupla não só pelo reconhecimento, mas também como uma forma de entender que a nossa visão – ser uma empresa global de marcas desejadas – vem sendo percebida pela sociedade.

 

CM: Em sua opinião a Havaianas pode ser considerada uma espécie de embaixadora brasileira? Como é essa relação dos fãs com a marca?

Utsch: Nós ouvimos muitos casos como “mandei meu filho para o intercâmbio e o presente foi um par de Havaianas”. Outros falam: “moro fora do Brasil e sempre que visito o País alguém me pede para trazer um par da sandália de presente”. São centenas de milhares de histórias que nós catalogamos. Aliás, uma delas, sobre uma cliente que tinha muitos modelos no seu closet, serviu como inspiração para um dos nossos filmes publicitários. É claro que ela foi remunerada por isso. Isso aconteceu há uns cinco, seis anos.

 

CM: No que está apoiada a estratégia da marca Havaianas diante da concorrência?

Utsch: Nós acreditamos que a competição por preço será sempre nefasta para a empresa. Isso porque não temos condições de vender o produto por um valor inferior e nem queremos isso. Mas em uma competição por marca, na qual você adiciona valor ao produto – por meio de uma promessa de qualidade e de posicionamento –, é possível transformar uma sandália de borracha em um objeto de desejo. A marca Havaianas saiu da condição de commodity para ser um objeto de desejo. Essa tem sido a base da construção de marca, desde 1997 até os dias atuais.

 
 

CM: Detalhe um pouco mais como foi esse processo.

Utsch: Esse trabalho vem sendo feito há quase 15 anos. Ele envolve a manutenção da base do conhecimento sobre a marca, que é um excelente custo–benefício. Desde que foi criada em 1962, a sandália sempre foi um produto de altíssima qualidade, por um preço muito baixo, e querido pelas pessoas como um sapato de uso diário. A nossa grande arte foi manter essas pessoas que já faziam parte da base – gostavam e usavam o produto – e adicionar novos consumidores para que pudéssemos vender outros itens, com valor de marca maior e com uma linha mais ampla. Em 1997, tínhamos 52 SKUs e, atualmente, chegamos a 6,2 mil. O SKU é a menor unidade de um produto na sua divisão por modelo, cor e tamanho. São 104 modelos. A grade de numeração, em alguns casos, vai do 17 ao 37. Quanto às cores, são 13 sólidas e podem chegar a 20, considerando as estampas. Multiplicando a quantidade de modelos pela de tamanhos e de cores, você vai ter de comprar 6.152 pares. Há aproximadamente 15 anos eram 52. Imagine como foi a transformação cultural na empresa, na produção, na logística quando deixamos de cobrar das pessoas volume de produção e passamos a exigir diversidade, qualidade, distribuição mais homogênea pelo Brasil e pelo mundo? É uma mudança muito grande e que não foi finalizada ainda. Ela envolve um time talentoso e uma série de fatores: produtos, design, qualidade, marketing, ponto de venda, preço, propaganda, eventos, entre outros. Outro aspecto também bastante importante é que, somados os pontos de venda no Brasil (140 mil) aos que ficam fora do País (45 mil), são quase 200 mil.

 

CM: Qual a representatividade da marca Havaianas para os negócios do grupo São Paulo Alpargatas?

Utsch: Hoje, produzimos aproximadamente dez pares por segundo, 24 horas por dia. Temos 17,3 mil empregados, desse total 5,5 mil trabalham fora do Brasil. De 1962 até os dias atuais, vendemos 3,8 bilhões de pares. Para se ter uma ideia da ordem de grandeza, se você enfileirar um par atrás do outro é possível sair da Terra e ir até a Lua. Voltar e chegar lá, de novo. Então temos de vender bem mais para voltar para o nosso planeta.

 

CM: Falando de forma global, qual a estratégia da em presa, incluindo outras marcas?

Utsch: Separando por segmento, Havaianas e DuPé são as marcas de sandálias. Rainha, Mizuno, Topper e Timberland de artigos esportivos. No caso de calçados profissionais, atuamos com a Sete Léguas. A nossa estratégia é muito clara: ser uma empresa global de marcas. Nós temos um alinhamento muito grande em relação ao conceito de que a marca é um ativo intangível importantíssimo para o nosso negócio. Além disso, a empresa tem de gerar lucro e ser muito rentável. Ter um balanço muito estruturado. Organização pobre não vai adiante. Se ela não tem dinheiro ou caixa, necessita minimamente de um ótimo projeto para que algum banco possa financiá-lo. Sem boas marcas e dinheiro você não vai para lugar algum. Mas, além desses tripés, o mais importante está nas pessoas. Mesmo que a empresa disponha de marcas boas e recursos, com profissionais incompetentes, os projetos serão medíocres. E isso acaba com as marcas. Mas com pessoas talentosas e projetos na mão é possível ter boas marcas e dinheiro.

 

CM: E a pirataria? Como combatê-la?

Utsch: Esse é um assunto sério. O combate está previsto em lei, resta à polícia agir. Nós gastamos muito dinheiro, atualmente, com escritórios de advocacia especializados. No caso de Havaianas, no Brasil o efeito da pirataria é quase nulo porque o nosso produto combina altíssima qualidade com preço competitivo, o que dificulta esse tipo de ação. O que existe muito é o que eu chamo de pirataria silenciosa: a imitação. Até grandes empresas, inclusive de capital aberto, estão na nossa cola. Eu não sei como eles descobrem o que estamos fazendo e acabam lançando novidades muito parecidas com as nossas. O produto é praticamente idêntico. Tem empresa que utiliza um nome com a sonoridade parecida ou até que imita a marca, só que usando letras trocadas. Fora do Brasil, o espaço para pirataria é maior, pois o valor do produto é mais alto. E as matérias-primas usadas são horrorosas, vale até PVC. Mas há um lado positivo no caso da Havaianas. Ninguém vai piratear um carro Lada, por exemplo, mas uma BMW ou uma Mercedes-Benz. Já a pirataria em artigos esportivos, a situação é dura porque eles fazem um tênis com um décimo da qualidade e por metade do preço.

 

CM: Diante dessa estratégia de ser uma empresa global de marcas, como o Serviço de Atendimento ao Consumidor funciona na São Paulo Alpargatas? Como se comunicar com consumidores de idiomas e culturas tão distintas?

Utsch: Estamos em 82 países e cada um tem o seu SAC. Em lugares com operações próprias da Alpargatas como Estados Unidos, Espanha, Inglaterra, França, Itália, Portugal, Argentina e Uruguai, além do Brasil, cada um tem seu SAC e sua estrutura de marketing. Claro que eles estão subordinados ao Brasil porque não queremos que a marca tenha mais de um DNA, obviamente. Nós chamamos esse modelo de AMC (Atendimento Master ao Consumidor). Porém nos países nos quais não temos operações próprias, há os distribuidores com os quais firmamos contratos de gestão. Isso nos permite interferir na gestão, o que engloba o atendimento ao consumidor. Cada distribuidor tem uma forma de atender de acordo com a cultura do país em questão. Em Angola, por exemplo, o atendimento é por telefone por não haver ainda uma difusão muito grande de meios eletrônicos. Já em nações como Estados Unidos, França e Inglaterra as pessoas nem sequer pensam em telefone, é tudo via internet.

 

CM: No caso específico da Havaianas, que tipo de manifestações chega ao SA C da marca?

Utsch: No caso da Havaianas, o SAC é quase desnecessário quando se trata de problemas relacionados a defeitos. O produto é todo testado. Basicamente, o atendimento é voltado a dúvidas sobre os locais para adquirir o item; onde encontrar um determinado modelo, cor ou tamanho; lançamentos, entre outros. Já no caso de artigos esportivos há uma mistura entre dúvidas e reclamações. O painel de controle é um pouco diferente.

 

CM: Cada vez mais o SA C precisa ser multicanal. Mas e as cartas, elas ainda chegam à São Paulo Alpargatas?

 Utsch: Embora o volume seja muito pequeno, elas ainda são enviadas. A orientação é que elas sejam endereçadas a mim, que respondo de próprio punho, principalmente por respeito às tradições. Se quiser fazer o teste, mande uma carta para a Alpargatas. As cartas carregam um traço cultural muito importante e isso deve ser valorizado. As pessoas com mais idade, por exemplo, têm esse hábito. E são cartas bem escritas, sem erros gramaticais de concordância ou de ortografia. E não são apenas em português, também recebemos cartas em inglês e espanhol. No entanto, outro ponto importantíssimo é o contato no ponto de venda. A cada dia, cresce a preocupação em ter pontos de venda com alguma qualificação adicional em caso de troca ou de assistência. Essa estratégia é mais usada nas marcas de artigos esportivos porque, raramente, acontecem trocas envolvendo pares de Havaianas.
 

 
 

Fonte e Sítios Consultados



Conteúdo da aula de Gestão do Conhecimento do Curso de Administração do 8º. Semestre

 

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