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Administração no Blog

Conteúdos de Administração e assuntos atuais.

24 de fevereiro de 2013

Corrupção, Moral e Filosofia


 
A Corrupção

 





  Corrupção, Moral e Filosofia

 

         Plagiando Voltaire, atrevo-me a dizer que em nosso país não falta o que chorar quanto ao lado físico moral das coisas, principalmente da política. Há ainda outras coincidências entre essa obra de Voltaire e o ambiente político e o descompasso social, há séculos, vigorantes no Brasil.

 

         Primeiro: é condição fundamental para que um político exerça um cargo eletivo nas esferas federal, estadual e municipal, seja no executivo ou no legislativo, que ele seja antes um candidato. Apesar dos dicionários da língua portuguesa mais populares não apresentarem esta denotação para o substantivo candidato, registrando tão somente o significado corrente em nossa língua ("aspirante a emprego, cargo, vaga em determinada instituição, honraria ou dignidade, aquele que pleiteia um cargo eletivo"0), a palavra se origina do vocábulo latino candidatus, que significa aquele que veste roupa branca, o que lhe dá, na origem, significado semelhante ao do adjetivo cândido ("alvo, imaculado, puro, sincero, ingênuo, inocente").

 

        Segundo: empregando a ironia, Voltaire traz à luz os preconceitos, as desigualdades sociais, a ingenuidade do povo, as tiranias do Estado e da Igreja e, principalmente, a corrupção, questões muito atuais no cotidiano do país.

 

         Terceiro: o escritor e filósofo iluminista se divide no otimismo exacerbado de Pangloss ("Tudo está bem quando tudo está mal") e o maniqueísmo de Martinho ("Eis como se tratam os homens uns aos outros") e confronta a amizade com o interesse, a benevolência com a filáucia, a sensibilidade com a brutalidade, a benquerença com a ganância, a ambição com a fé e o amor com o ódio. Um olhar mais apurado sobre a contaminada atmosfera política brasileira e sobre o desabrimento da nossa sociedade mostrará como é atual o pensamento de Voltaire.
 
 
            

         A consciência coletiva, definida por Émile Durkheim como o "conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado com vida própria", foi totalmente eivada pelo nefasto absolutismo português, fomentando, assim, um círculo vicioso de causas e efeitos: os políticos sabem que a sociedade é frágil e faminta, então lhe atira as migalhas, como milho aos pombos, em toca de votos; e a sociedade se torna refém desses mesmos políticos.



           Observem como se comportam os políticos e a sociedade brasileira. No fundo, há uma relação de promiscuidade entre ambos; a única lei que, no paradoxo brasileiro, é levada ao pé da letra é a lei (não escrita) de Gérson: "Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também".

 





 
 

Prezados

 

       Parece claro para qualquer cidadão minimamente informado de que boa parte das campanhas eleitorais é financiada por dinheiro sujo e sem lastro, proveniente de falcatruas, desvios e toda sorte de absurdos realizados por maus políticos e assessores que se tornaram parasitas da política, passivos ou ativos. A prática é algo recorrente e largamente divulgada pela imprensa. Quem lida perto do universo da política, sabe que corrupção é rotina nos bastidores do poder e por vezes dentro dos partidos políticos.

        Contudo, muito pouco é feito para estancar esse descalabro. Com efeito, os políticos e os candidatos que almejam uma boquinha, seguem driblando as Leis e a confiança do povo, certos de que nada ocorrerá com eles. E de fato nada acontece com eles.
 
 
  



         O povo, por sua vez, está envolvido hoje, ontem e sempre com o "pão e com o circo". O pão, os vários programas assistencialistas cuidam, o circo fica por conta da imprensa sensacionalista brasileira"chapa branca" e por conta das Organizações Religiosas oportunistas que aprisionam os fiéis e aproveitam da boa fé dos que são privados de instrução ou estão vulneráveis por questões circunstanciais. (depressão, desemprego, drogas, separações, alienação etc.)


            Se não bastasse, a justiça parece não enxergar os escândalos, trata a maioria das denúncias como "intrigas" fruto do jogo político, sobretudo nos níveis mais altos, de onde se espera providencias. E por que as providencias não são tomadas? Ou será que alguém se lembra do Mensalão? Além da falta de instrumental, boa parte dos magistrados que atuam nas instancias superiores foram indicados por membros do poder executivo ou do legislativo, (cargos políticos), haveria por acaso alguma ética nestas condutas? Até julgam os recursos, mas esquecem de se aprofundar nos autos. Usam critérios meramente políticos onde a Lei deveria prevalecer e ser implacável.




         A título de informação, isso é uma reclamação recorrente de Juízes de primeira instâncias que pode ser conferida em qualquer tribunal dos 27 Estados da Federação. A reclamação é de que as decisões são frouxas quando deveriam ser duras. De sorte que a corrupção precisa ser tratada como crime hediondo, julgada de forma imparcial e sem interferências, inibindo os que confiam na impunidade. Para agravar, o que parece ser o fundo do poço, ainda existe, nos labirintos da justiça, as manobras de advogados inescrupulosos, lançando mão de "habeas corpus" e uma infinidade de artimanhas para livrar os "anjinhos" da cadeia, fazendo o crime de corrupção tornar-se algo compensador.

                      

 
 
 

 

       Mais do que punidos severamente com cadeia, esses cafajestes devem devolver com juros o que roubaram, ficando automaticamente inelegíveis para sempre.

 

 
 
 


Fonte e Sítios Consultados

https://sites.google.com/site/filosofiapopular/corrupcao

 

23 de fevereiro de 2013

Administrar uma Empresa com Sucesso


Os passos para administrar uma empresa com sucesso

 

A Administração de um negócio exige conhecimentos de mercado e gerenciamento. Não existem fórmulas mágicas, mas alguns conceitos são fundamentais.
 
 
 


Antigamente, para se administrar uma empresa com sucesso era preciso somente capital de giro e muita competência. Hoje, a acirrada briga por destaque no mercado faz que o que a administração empresarial faça mais exigências que envolvem gerenciamento, produtos e profissionais. Para organizar uma empresa é preciso pensar em um conjunto de ideias, processos, organização, direção, controle, metas e foco.

 

Planejamento


Antes de tudo, faça um planejamento focando objetivos a curto e a longo prazo. Analise, primeiramente, o mercado de atuação e os pontos positivos, definindo o público-alvo, suas metas, políticas internas e não se esqueça: mantenha um planejamento flexível, que se adapte às tendências e modificações, comuns no mercado.

 

Competitividade


É de grande importância que se analise quais são as empresas que estão próximas da sua ou de sua cidade, e as que realizem o mesmo tipo de serviço ou produto oferecido que o seu. Também aproveite e analise quais são as probabilidades e a porcentagem que a sua loja tem em ser bem recebida e aceita pela população em geral, avalie também o processo de inovação com propostas atraentes, para que você não perca tempo e dinheiro e caminhe ao fracasso.

 

Capital


Faça uma lista do que você irá precisar para abrir uma empresa com todos os aparelhos, mesas, balcões, armários, peças, manequins, computador e quadro de funcionários, analisando vários fornecedores e a quantia de capital e em quanto tempo é possível adquirir renda para compensação do investimento, o que não é lucro. Há diversos pontos importantes para administrar uma empresa com muito sucesso, por isso, há profissionais competentes como administradores e contadores.

E como já foi o tempo em que administrar uma empresa precisaria apenas de capital de giro e competência. Os tempos mudaram e as exigências são outras.

 

- Como a concorrência sempre inova e busca se sobressair, faz-se necessário que o gestor, administrador de toda e qualquer empresa, possa investir sempre em:

1. Conhecimentos – porque tudo muda o tempo todo.

2. Novas habilidades – porque o cliente exige isso de toda empresa.

3. Competências duráveis – pois fazem toda a diferença.

 


4. Soluções práticas – porque o cliente moderno não perdoa a demora da empresa em resolver problemas.

5. Inovação – pois é o que mais o cliente deseja.

6. Criatividade – outra característica importante para o cliente, pois com ela tudo pode ser resolvido de forma mais dinâmica e rápida, satisfazendo, assim, as necessidades do cliente moderno e exigente.

7. Valor agregado – outro diferencial notado pelos clientes mais experientes e que gostam de levar vantagem em tudo o que compra.
 

8. Flexibilidade – pois empresas rígidas não conseguem sobreviver muito tempo.

9. Motivação e compromisso – pois uma equipe desmotivada e sem compromisso perde uma excelente oportunidade de encantar e realizar todas as vontades e exigências do cliente.
 



Fonte e Sítios Consultados

O Brasileiro adora automóveis


 
 
Gasolina em SP custa 70% mais que em NY, diz estudo

 

Entenda qual a razão do Brasil ser um País totalmente voltado para o mercado de automóveis. O governo Brasileiro tem todo o interesse em que esse negócio esteja sempre em alta. Acompanhe a matéria de reportagem da revista Exame.com de 15/04/2011.

Os Tributos fazem com que apesar de sair da refinaria 25% mais barata do que de uma refinaria norte-americana, o combustível chegue ao consumidor muito mais caro do que em qualquer posto de lá



São Paulo - O litro da gasolina custa, em média, US$ 1,73 na cidade de São Paulo, valor 70% maior que em Nova York, ou 105% maior que na Rússia, um dos países emergentes que integram o grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Os dados são de estudo realizado pela Airinc, consultoria norte-americana especializada em preços globais.

·                    A tributação da gasolina no Brasil cria distorções em seu preço e faz com que, apesar de sair da refinaria da Petrobras 25% mais barata do que de uma refinaria norte-americana, o combustível chegue ao consumidor muito mais caro do que em qualquer posto de combustível de lá. A carga tributária no País representa 57% do valor do litro do combustível, uma das mais altas do mundo, perdendo apenas para os países europeus, onde a política de desestímulo ao uso de carros puxa para 70% o tributo sobre a gasolina.



A pesquisa considera a cotação do dólar em R$ 1,67. Sendo assim, o preço médio do litro do combustível na capital paulista foi de R$ 2,89. No ranking das Américas, preparado pela consultoria, o Brasil possui o maior preço entre seus vizinhos, todos com tributação menor. Na Venezuela, os fortes subsídios de Hugo Chávez fazem com que o litro da gasolina custe US$ 0,01, o mais barato do mundo.

Neste ranking mundial, países com reservas gigantescas, como Arábia Saudita e Líbia, estão entre os que apresentam os preços mais baixos do mundo, respectivamente com US$ 0,11 e US$ 0,14. Na outra ponta, os maiores preços estão na Turquia, com o litro da gasolina custando US$ 2,54, e na Eritreia, país africano que vive em conflito com sua vizinha Etiópia, a US$ 2,53.

Nas Américas, atrás do Brasil estão o Chile (US$ 1,57), Cuba (US$ 1,35) e Canadá (US$ 1,31). Nos Brics, o Brasil também lidera o ranking: China cobra US$ 1,11; Índia US$ 1,26 e a recém incluída África do Sul, US$ 1,27.
 



"Os impostos sobre a gasolina no Brasil sempre estiveram lá em cima", lembra o diretor jurídico do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis. Além do PIS e Cofins, que representam cerca de 20% do total dos tributos que incidem sobre a gasolina, há ainda o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), determinado pelas secretarias de Fazenda de cada Estado, e ainda a Contribuição por Intervenção de Domínio Econômico (Cide), criada em 2001 como colchão para amortecer eventuais aumentos que o combustível tivesse ao acompanhar o mercado internacional.

 
Fonte e Sítios Consultados

Ética é a área da Filosofia que estuda o Comportamento Humano




O que ética?  O que é moral?  O que ela estuda?

 Estas são perguntas rotineiras, feita por muitos, e de suma importância para as relações humanas. Todo dia ouvimos falar de ética e falta de ética, mas o que isso significa afinal?

A ética faz parte de uma das três grandes áreas da filosofia, mais especificamente, é o estudo da ação – práxis. Ao lado do estudo sobre o “conhecimento” – como a ciência, ou a lógica – e do estudo sobre o “valor” – seja ele artístico, moral, ou científico – o estudo sobre a ação engloba a totalidade do saber e da cultura humana. Está presente no nosso cotidiano o tempo todo, seja nas decisões familiares, políticas, ou no trabalho por exemplo.

 Ética e Moral são a mesma coisa ou há distinções a serem feitas?

Na linguagem comum e mesmo culta ética e moral são sinônimos. Assim dizemos: Aqui há um problema ético ou um problema moral. Com isso emitimos um juízo de valor sobre alguma prática pessoal ou social, se boa, se má ou duvidosa.

   Porém, percebemos que ética e moral não são sinônimos.

·        A ética é parte da filosofia – ela considera concepções de fundo, princípios e valores que orientam pessoas e sociedades. Uma pessoa é ética quando se orienta por princípios e convicções. Dizemos, então, que tem caráter e boa índole.

·        A moral é parte da vida concreta – ela trata da prática real das pessoas que se expressam por costumes, hábitos e valores aceitos. Uma pessoa é moral quando age em conformidade com os costumes e valores estabelecidos que podem ser, eventualmente, questionados pela ética. Uma pessoa pode ser moral (segue costumes), mas não necessariamente ética (obedece a princípios).







           De acordo Waren Buffet as fraudes nas empresas são cometidas por funcionários que têm algum tempo de casa e conhecem os controles internos – para Buffet, Na busca de Pessoas para contratar você deve procurar três qualidades: Integridade, Inteligência e Energia. Sabendo que se essas duas últimas não estiverem acompanhadas da primeira, elas irão liquida-lo”.


A palavra ética tem origem no termo grego ethos, que significava “bom costume”, “costume superior”, ou “portador de caráter”. Impulsionado pelo crescimento da filosofia fora da antiga Grécia o conceito de ethos se proliferou pelas diversas civilizações que mantiveram contato com sua cultura. A contribuição mais relevante se deu com os filósofos latinos. Em Roma o termo grego foi traduzido como “mor-morus” que também significava “costume mor” ou “costume superior”. É dessa tradução latina que surge a palavra “moral” em português.


No decorrer da história do pensamento a ética se tornou cada vez mais um assunto rico, complexo e abrangente. Com a expansão da filosofia, e em especial do pensamento sobre a ação, foi preciso distinguir os termos ética e moral. No século XX o filósofo espanhol Adolfo Sanches Vásquez cria uma famosa diferenciação entre os dois conceitos. Para ele o termo moral se refere a uma reflexão que a pessoa faz de sua própria ação. Já o ‘termo’ ética abrange o estudo dos discursos morais, bem como os critérios de escolha para valorar e padronizar as condutas numa família, empresa ou sociedade.


Definir o que é um agir ético, moral, correto ou virtuoso é se inscrever em uma disputa social pela definição legítima da boa conduta. Da conduta verdadeira e necessária. Avaliar a melhor maneira de agir pode ser visto de pontos de vista totalmente diversos. Marxistas, liberais, mulçumanos, psicanalistas, jornalistas e políticos agem e valoram as ações de maneira diferente. Porém todos eles lutam pela definição mais legitima de uma “boa ação” ou da “ação correta” - sem pretensões de impor uma definição legítima sobre a conduta moral, neste espaço, deixaremos os filósofos falarem por eles mesmos. Elencamos o que cada um dos principais pensadores tem a dizer sobre o assunto.




Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) “Ética a Nicomacos”

A excelência moral se relaciona com as emoções e ações, e somente as emoções e ações voluntárias são louvadas e censuradas, enquanto as involuntárias são perdoadas, e às vezes inspiram piedade; logo, a distinção entre o voluntário e o involuntário parece necessária aos estudiosos da natureza da excelência moral, e será útil também aos legisladores com vistas à atribuição de honrarias e à aplicação de punições. (…)


Mas há algumas dúvidas quanto ás ações praticadas em consequência do medo de males maiores com vistas a algum objetivo elevado [1097b] (por exemplo, um tirano que tendo em seu poder os pais e filhos de uma pessoa, desse uma ordem ignóbil a esta, tendo em vista que o não cumprimento acarretasse na morte dos reféns); é discutível se tais ações são involuntárias ou voluntárias. (…) Tais ações, então, são mistas, mas se assemelham mais as voluntárias, pois são objeto de escolha no momento de serem praticadas, e a finalidade de uma ação varia de acordo com a oportunidade, de tal forma que as palavras “voluntário” e “involuntário” devem ser usadas com referência ao momento da ação; com efeito, nos atos em questão as pessoas agem voluntariamente, portanto são voluntárias, embora talvez sejam involuntárias de maneira geral, pois ninguém escolheria qualquer destes atos por si mesmos.


Fundamentação da Metafísica dos Costumes
     Immanuel Kant (1724-1804) 


Neste mundo, e se houver um fora dele, nada é possível pensar eu que possa ser considerado como bom sem limitação, a não ser uma só coisa: uma boa vontade. Discernimento, argúcia de espírito, capacidade de julgar, e como quer que possam chamar-se os demais talentos do espírito, ou ainda coragem, decisão constância de propósito, como qualidades do temperamento, são sem dúvida, a muitos respeitos, coisas boas e desejáveis; mas também podem tornar-se extremamente más e prejudiciais se a vontade, que haja de fazer uso destes dons naturais, constituintes do caráter, não for boa.

Na constituição natural de um ser organizado para a vida, admitimos, por princípio, que nele não haja nenhum órgão destinado à realização de um fim que não seja o mais adequado e adaptado a este fim. Ora, se num ser dotado de razão e de vontade a natureza tivesse por finalidade última sua conservação, seu bem-estar ou, em uma palavra, sua felicidade, ela teria se equivocado ao escolher a razão para alcançá-la. Isto porque, todas as ações que este ser deverá realizar nesse sentido, bem como a regra completa de sua conduta, ser-lhe-iam indicadas com muito maior precisão pelo instinto.


Uma vez que despojei a vontade de todos os estímulos que lhe poderiam advir da obediência a qualquer lei, nada mais resta do que a conformidade a uma lei universal das ações em geral que possam servir de único princípio à vontade, isto é: devo proceder sempre da mesma maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal. Aqui é pois a simples conformidade a lei em geral, o que serve de princípio à vontade, o também o que tem de lhe servir de princípio, para que o dever não seja por toda parte uma vã ilusão e um conceito quimérico.; e com isto está perfeitamente de acordo com a comum ação humana nos seus juízos práticos e também sempre diante dos olhos este princípio.



Uma Introdução aos Princípios da Moral 
          Jeremy Bentham (1748 – 1832) 

          Pode-se dizer que uma pessoa é partidária de uma ética utilitarista quando afirma que a aprovação ou desaprovação de alguma conduta foi determinada pela tendência de tal conduta a aumentar ou diminuir a felicidade da comunidade e a sua própria. 






Catecismo Positivista
Augusto Comte (1798-1875)

 É verdade que o positivismo não reconhece a ninguém outro direito senão o de sempre cumprir seu dever. Em termos mais corretos, nossa religião (positivista) impõe a todos a obrigação de ajudar cada um a preencher sua própria função. A noção de direito deve desaparecer do campo político, como a noção de causa do campo filosófico. Porque ambas se reportam a vontades indiscutíveis. Assim, quaisquer direitos supõem necessariamente uma fonte sobrenatural, única que pode subtraí-los á discussão humana.

O positivismo não admite nunca senão deveres de todos em relação a todos. Porque seu ponto de vista sempre social não pode comportar nenhuma noção de direito, constantemente fundada na individualidade. Em que fundamento humano deveria, pois, se assentar a ideia de direito, que suporia racionalmente uma eficácia prévia? Quaisquer que sejam nossos esforços, a mais longa vida bem empregada não nos permitirá nunca devolver senão uma porção imperceptível do que recebemos. Não seria senão, contudo, só depois de uma restituição completa que estaríamos dignamente autorizados a reclamar a reciprocidade de novos serviços. Todo direito humano é, pois, tão absurdo quanto imoral. Posto que não há mais direitos divinos, esta noção deve se apagar completamente, como puramente relativa ao regime preliminar, e diretamente incompatível com o estado final, que só admite deveres segundo as funções.



Moral da Ambiguidade
Simone de Beauvoir (1909 – 1986)

Existir é fazer-se carência de ser, é lançar-se no mundo: pode-se considerar como sub-humanos os que se ocupam em paralisar esse movimento original; eles têm olhos e ouvidos, mas fazem-se desde a infância cegos e surdos, sem desejo. Essa apatia demonstra um medo fundamental diante da existência, diante dos riscos e da tensão que ela implica; o ‘sub-homem’ recusa essa paixão que é a sua condição de homem, o dilaceramento e o fracasso deste impulso em direção do ser que nunca alcança seu fim; mas com isso, é a existência mesma que ele recusa - a má-fé do homem sério provém de que ele é obrigado, sem cessar, a renovar a renegação dessa liberdade. Ele escolhe viver num mundo infantil, mas à criança, os valores são realmente dados. O homem sério deve mascarar esse movimento através do qual se dá os valores, tal como a mitômana, que lendo uma carta de amor, finge esquecer que essa lhe foi enviada por si mesma.



Ética: A área da filosofia que estuda o comportamento humano

A palavra ética se origina do termo grego ethos, que significa "modo de ser", "caráter", "costume", "comportamento". De fato, a ética é o estudo desses aspectos do ser humano: por um lado, procurando descobrir o que está por trás do nosso modo de ser e de agir; por outro, procurando estabelecer as maneiras mais convenientes de sermos e agirmos. Assim, pode-se dizer que a ética trata do que é "bom" e do que é "mau" para nós.


Bom e mau, ou melhor, Bem e Mal, entretanto, são valores que não apresentam, para o ser humano, um caráter absoluto. Ao longo dos tempos, nas mais diversas civilizações, várias interpretações serão dadas a essas duas noções. A ética acompanha esse desenvolvimento histórico, para que isso sirva de base para uma reflexão sobre como ser ético no tempo presente.


Considera também como esses valores se aplicam no relacionamento interpessoal, pois a noção de um modo correto de se comportar e posicionar na vida pressupõe que isso seja feito para que cada um conviva em harmonia com os outros. A ética, portanto, trata de convivência entre seres humanos na sociedade. Num sentido mais restrito, ela se restringe às relações pessoais de cada um. Num sentido mais amplo - já que ninguém vive numa pequena comunidade isolada -, ela se relaciona com a política - da cidade, do país e do mundo. Nesse sentido, ela é possivelmente a área mais prática da filosofia.


Antes de qualquer, coisa qual o significado da palavra ética, em termos filosóficos?


O filósofo contemporâneo espanhol Fernando Savater apresenta uma resposta para essa questão em termos muito simples, num livro intitulado Ética para meu filho, da Editora Martins Fontes. Como diz o título, ele escreveu com o intuito de explicar a questão para o seu filho adolescente. A seguir, você pode ler um breve trecho da resposta de Savater para a questão "o que é ética?".



 Esse é um excelente ponto de partida para você pensar no assunto:

Existem ciências que estudamos pelo simples interesse de saber coisas novas. Já existem outras que são para adquirir uma habilidade que nos permita fazer ou utilizar alguma coisa – a maioria é utilizada para conseguir um oficio e ganhar a vida com ele. Se não sentirmos curiosidade nem necessidade de realizar esses estudos, poderemos prescindir deles tranquilamente. Há uma infinidade de conhecimentos muito interessantes, mas sem os quais podemos nos arranjar muito bem para viver. Eu, por exemplo, lamento muito não ter nem ideia de astrofísica ou de marcenaria, que dão tanta satisfação a outras pessoas, embora essa ignorância nunca me tenha impedido de ir sobrevivendo até hoje. E você, se não me engano, conhece as regras do futebol, mas é bem fraco em beisebol. Não tem maior importância, você desfruta os campeonatos mundiais, dispensa olimpicamente a liga americana e todo o mundo sai satisfeito.



O que eu quero dizer é que certas coisas a pessoa pode aprender ou não, conforme sua vontade. Como ninguém é capaz de saber tudo, o remédio é escolher e aceitar com humildade o muito que ignoramos. É possível viver sem saber astrofísica, marcenaria, futebol e até mesmo sem saber ler e escrever: vive-se pior, decerto, mas vive- se. No entanto, há outras coisas que é preciso saber porque, por assim dizer, são fundamentais para nossa vida. E preciso saber, por exemplo, que saltar de uma varanda do sexto andar não é bom para a saúde; ou que uma dieta de pregos (perdoem-me os faquires!) e ácido prússico não nos permitirá chegar à velhice. Também não é aconselhável ignorar que, se dermos um safanão no vizinho cada vez que cruzarmos com ele, mais cedo ou mais tarde haverá consequências muito desagradáveis. Pequenezas desse tipo são importantes. Podemos viver de muitos modos, mas há modos que não nos deixam viver.




Isso significa que entre todos os saberes possíveis existe pelo menos um imprescindível: o de que certas coisas nos convêm e outras não. Certos alimentos não nos convêm, assim como certos comportamentos e certas atitudes. Quero dizer, é claro, que não nos convêm se desejamos continuar vivendo. Se alguém quiser arrebentar-se o quanto antes, beber lixívia poderá ser muito adequado, ou também cercar-se do maior número possível de inimigos. Mas, de momento, vamos supor que preferimos viver, deixando de lado, por enquanto, os respeitáveis gostos do suicida. Assim, há coisas que nos convêm, e o que nos convém costumamos dizer que é “bom”, pois nos cai bem; outras, em compensação, não nos convêm, caem-nos muito mal, e o que não nos convém dizer que é “mau”. Saber o que nos convém, ou seja, distinguir entre o bom e o mau é um conhecimento que todos nós tentamos adquirir – todos, sem exceção – pela compensação que nos traz.



Como afirmado antes, há coisas boas e más para a saúde: é necessário saber o que devemos comer, ou que o fogo às vezes aquece e outras vezes pode queimar, ou ainda que a água que pode matar a sede e também nos afogar. No entanto, às vezes as coisas não são tão simples: certas drogas, por exemplo, aumentam nossa energia ou produzem sensações agradáveis, mas seu abuso contínuo pode ser nocivo. Em alguns aspectos são boas, mas em outros são más: elas nos convêm e ao mesmo tempo não nos convêm. No terreno das relações humanas, essas ambiguidades ocorrem com maior frequência ainda. A mentira é, em geral, algo mau, porque destrói a confiança na palavra – e todos nós precisamos falar para viver em sociedade – e provoca inimizade entre as pessoas; mas às vezes pode parecer útil ou benéfico mentir para obter alguma vantagem, ou até para fazer um favor a alguém. Por exemplo, é melhor dizer ao doente de câncer incurável a verdade sobre seu estado, ou deve-se enganá-lo para que ele viva suas últimas horas sem angústia? A mentira não nos convém, é má, mas às vezes parece acabar sendo boa. Procurar briga com os outros, como já dissemos, em geral é inconveniente, mas devemos consentir que violentem uma garota diante de nós sem interferir, sob pretexto de não nos metermos em confusão? Por outro lado, quem sempre diz a verdade – doa a quem doer – costuma colher a antipatia de todo o mundo; e quem interfere ao estilo Indiana Jones para salvar a garota agredida tem maior probabilidade de arrebentar a cabeça do que quem segue para casa assobiando. O que é mau às vezes parece ser mais ou menos bom e o que é bom tem, em certas ocasiões, aparência de mau. 


Haja confusão!



Resumindo: ao contrário de outros seres, animados ou inanimados, nós homens podemos inventar e escolher, em parte, nossa forma de vida. Podemos optar pelo que nos parece bom, ou seja, conveniente para nós, em oposição ao que nos parece mal e inconveniente. Como podemos inventar e escolher, podemos nos enganar, o que não acontece com os castores, às abelhas e as formigas. De modo que parece prudente atentarmos bem para o que fazemos, procurando adquirir um certo saber-viver que nos permita acertar. Esse saber-viver, ou arte de viver, se você preferir, é o que se chama de ética.













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